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A reação do primeiro-ministro húngaro à crise de refugiados: os europeus “correm o risco de se tornar uma minoria”

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FOTO LEONHARD FOEGER/REUTERS

Cerca de 500 refugiados passaram a noite num comboio na estação de Bickse, recusando-se a serem levados para um campo local. Mantém-se o clima de revolta e agitação

A tensão continua em Bickse, na Hungria, onde há um campo de refugiados. Cerca de meio milhar de refugiados passou a noite num comboio na estação local, que fica situada a cerca de 35 km da capital húngara, recusando-se a serem transportados para o campo de refugiados local. Depois da confusão registada na quinta-feira - quando foram todos retidos pelas autoridades a meio do percurso -, voltaram a ocorrer momentos de tensão esta sexta-feira de manhã.

Vários refugiados negaram água e comida distribuída por voluntários, como forma de protesto. Enfurecidos, alguns atiraram garrafas e embalagens para a linha férrea. Houve mais lágrimas e gritos, apelos desesperados. Mas de acordo com a polícia húngara, a maioria dos refugiados oferece “resistência passiva”, impossibilitando ainda assim que sejam conduzidos para o campo de refugiados em Bicske.

Na quinta-feira, alguns refugiados chegaram a ser detidos pelas autoridades na sequência de confrontos. Sentiram-se enganados, uma vez que receberam a informação de que o destino do comboio seria Sopron, uma cidade situada junto à fronteira com a Áustria. Era precisamente o que desejavam, uma vez que a maioria quer pedir asilo à Áustria ou Alemanha.

Entretanto, a polícia húngara continua a divulgar vídeos que mostram os tumultos gerados pelos refugiados e algumas detenções. Num deles, que é descrito por um repórter do “The Guardian”, vê-se as autoridades a capturar um homem numa autoestrada em Domaszék - o indivíduo é acusado de ter recebido 1200 euros para fazer chegar uma família síria a Budapeste.

Na estação central de Keleti, aguardam por seu turno milhares de outros refugiados que mantêm a esperança de chegar à fronteira com a Áustria.

O primeiro-ministro húngaro continua a insistir que é preciso respeitar as regras de Schengen e que há limites para receber refugiados. “A realidade é que a Europa está a ser ameaçada por um grande fluxo de pessoas que querem ficar na Europa. Hoje estamos a falar de centenas de milhares, amanhã podem ser milhões e isto não terá fim. De repente, os europeus correm o risco de se transformar numa minoria”, declarou Viktor Orban à estação pública de rádio.

Cameron recua, Putin acusa os EUA

Pressionado pela União Europeia, David Cameron garantiu esta sexta-feira de manhã num encontro com Passos Coelho, em Lisboa, que o Reino Unido irá receber mais milhares de refugiados. “Aceitámos 5.000 sírios e criámos um programa específico de reinstalação. Vamos aceitar mais milhares, com este sistema que já existe, e vamos manter o número em revisão", disse o primeiro-ministro britânico. Anteriormente, Cameron tinha-se manifestado contra a possibilidade de receber mais refugiados.

Do lado russo, Vladimir Putin acusou os EUA de influenciarem a política europeia no Médio Oriente. “O que está em causa nesta política [europeia]? São impostas exigências sem levar em conta aspetos históricos, religiosos e culturais destas regiões específicas. Isto é, antes de tudo, a política dos nossos parceiros americanos”, afirmou Putin citado pela agência Tass.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, apontou o dedo a todo o mundo ocidental relativamente à crise dos refugiados. “Para ser honesto, todo o mundo ocidental tem culpa nesta questão dos refugiados. O que é a humanidade? Pergunto isso quando vejo imagens como as do menino sírio. Quantas crianças, mulheres e homens morreram afogados nas águas do Mediterrâneo?”

A resposta à crise de refugiados deverá ser discutida no próximo dia 14 de setembro, durante uma reunião com os ministros da Administração Interna dos Estados-membros.