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A pé até Viena e depois até à Alemanha. Refugiados estão a deixar a Hungria

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Centenas de refugiados juntaram-se e estão a caminhar em direção à fonteira entre a Hungria e a Áustria. Caminham pelas cidades, pelas pontes e até pela autoestrada

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Há dias que esperavam por um comboio na estação de Keleti, em Budapeste, capital da Hungria. Mas fartaram-se e centenas de refugiados decidiram pôr-se em marcha. Ao longo desta sexta-feira deixaram a capital húngara. A pé. Caminham em direção à fronteira com a Áustria e sonham alcançar a Alemanha.

“Hoje vou para Viena, amanhã para a Alemanha. Viajo sozinho, toda a minha família ficou no Líbano”, contou ao repórter do jornal britânico “The Guardian” Zain Aidden Alkhwlidi, um engenheiro de 54 anos.

O caminho que os refugiados estão a percorrer

O caminho que os refugiados estão a percorrer

Jaime Figueiredo

Até Viena são cerca de 50h. 244 quilómteros por estrada. Caminham pelas cidades, pelas pontes e até pela autoestrada. Nada parece impedi-los. Carregam mochilas e andam em passo acelerado. A polícia húngara está atenta.

Segundo os jornalistas que estão a acompanhar a marcha, o intenso calor que se faz sentir é a sua maior dificuldade. “Está calor, as pessoas estão a ficar cansadas, a marcha está a espalhar-se, mas toda a gente está a caminhar em direção à fronteira com a Áustria”, relata o correspondente do “The Guardian”, John Domokos.

O número de refugidos a caminho da fronteira ainda não é certo. Fala-se em centenas. Mas uma coisa é certa: a cada metro junta-se mais alguém.

“Estou na parte de trás. Há aqui centenas de pessoas, pelo menos, e continuam a andar”, informa o jornalista britânico.

Os refugiados estavam bloqueados na estação de comboios em Budapeste. O primeiro grupo ainda partiu, na quinta-feira, de comboio até Viena. Durante o percurso, na cidade de Bicske, a polícia mandou-os sair das carruagens e levou-os para um campo de refugiados.

Muitos recusaram-se. E até agora ainda lá estão. Segundo escreve o “The Guardian”, estão a ponderam engrossar a caminhada, caso as autoridades húngaras não mudem de atitude.

  • Perseguidos, roubados e humilhados: na fronteira do desespero

    Ficar onde estavam não era opção: se a morte não os apanhasse, apanharia certamente um dos seus. Ou vários dos seus. Por isso deixaram, deixam e deixarão os países onde nasceram e viveram - e fazê-lo contra a vontade não é capricho, mas sobrevivência. E primeiro era o mar, que se tornou para uns (tantos, tantos) cemitério, a separá-los do que ansiavam alcançar cá, neste lado onde estamos e onde eles veem (esperam, sonham) esperança e dignidade. E depois do mar, agora há muros entre eles e nós, como este na fronteira entre a Hungria e a Sérvia: estivemos lá e é lá que regressamos consigo numa experiência multimédia que é experiência de vida. Se um mar não trava o desespero, é um muro que vai parar?