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Primeiro-ministro húngaro procura refúgio nas regras europeias e ouve o que não quer

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Viktor Orbán teve um dia complicado em Bruxelas

ERIC VIDAL / Reuters

Viktor Orbán deslocou-se a Bruxelas para defender um maior controlo das fronteiras externas da UE. Disse ainda que o problema dos refugiados é alemão. Presidente do Parlamento Europeu desabafou que a reunião a dois não foi fácil. Presidente do Conselho Europeu respondeu assim a Orbán: “Referir o Cristianismo no debate público sobre as migrações deve significar, antes demais, prontidão para mostrar solidariedade e sacrifício”

Em Bruxelas, Viktor Orbán tentou refugiar-se nas regras europeias, desde logo para justificar os milhares de refugiados que se acumulam há vários dias, em desespero, na principal estação ferroviária de Budapeste, a capital húngara.

"Ninguém pode deixar a Hungria sem ser registado. Essas são as regras. Temos de registar toda a gente. Não podemos deixar ninguém ir para a Alemanha ou Áustria sem ser registado", explicou, dizendo que enquanto a chanceler alemã, Angela Merkel, insistir que ninguém pode deixar o país sem ser registado é isso que o seu governo vai fazer.

"O problema não é europeu, o problema é alemão. Ninguém quer ficar na Hungria, nem na Eslovénia nem a Polónia, nem na Estónia. Todos querem ir para a Alemanha", acrescentou.

Um discurso que levou o presidente do Parlamento Europeu a desabafar aos jornalistas: "Veem como o nosso debate à porta fechada foi difícil?". Martin Schulz diz que esta leitura é errada e defende o envolvimento do governo húngaro, mas também uma maior redistribuição de refugiados entre Estados-membros.

O chefe de governo húngaro mostra-se contra um "sistema de quotas" mas diz que é preciso que as regras sejam cumpridas, invocando Schengen e a necessidade de controlo das fronteiras externas, bem como a Convenção de Dublin, segundo a qual os refugiados devem pedir asilo ao primeiro país onde entram e são registados.

Impedir que milhares de sírios, eritreus e outros refugiados e migrantes económicos entrem no país é, por isso, a prioridade para o governante húngaro. Para Bruxelas, Orbán levou uma mensagem clara: é preciso reforçar o controlo nas fronteiras externas da União Europeia: "Sem um controlo das fronteiras restrito, falar apenas de sistema de quotas é um convite para os que querem vir".

O cristianismo

O primeiro-ministro húngaro diz que está a fazer o seu papel e a construção de uma vedação em arame farpado ao longo da fronteira com a Sérvia é um claro exemplo. Mas do presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, ouviu palavras críticas. “Seria imperdoável se a Europa se dividisse entre defender o controlo das entradas, simbolizado pela vedação húngara, e defender a abertura total, como a política de portas e janelas abertas defendida por alguns”.

Para Tusk, controlar as fronteiras não deve excluir mais solidariedade, principalmente entre Estados-membros, e por isso apelou a que os países reforcem esforços para receber pelo menos 100 mil refugiados, aliviando a pressão sobre a Grécia, a Itália e a Hungria.

“Os países que não são diretamente afetados por esta crise e receberam a solidariedade da União Europeia no passado deveriam fazer o mesmo com os que precisam", disse. Um recado feito à medida de países como Portugal, a Irlanda ou a Letónia.

Nas críticas a Orban, Tusk foi ainda mais longe. O primeiro-ministro húngaro assinou um artigo num jornal alemão, o Frankfurt Allgemeine Zeitung, em que defendia que o fluxo de refugiados na Europa ameaça enfraquecer as raízes cristãs do continente europeu. Cara a cara com Orban, Tusk respondeu: “Referir o Cristianismo no debate público sobre as migrações deve significar, antes de mais, prontidão para mostrar solidariedade e sacrifício”. O líder húngaro ouviu e disse apenas que preferia deixar a discussão sobre “Cristianismo moderno” para outra conferência de imprensa.