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Cartoonistas do Médio Oriente reagem à fotografia do menino sírio

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Artistas desenham o “naufrágio da humanidade”

Helena Bento

Jornalista

Um dia depois de terem sido divulgadas as fotografias de Aylan Kurdi, o menino sírio de três anos cujo corpo deu à costa na praia turca de Bodrum, vários cartoonistas reagiram às imagens com a publicação de cartoons nas redes socias.

Um desenho do artista sírio Juan Zero, conhecido pelos seus cartoons sobre a revolução síria e os ataques levados a cabo pelo Presidente sírio Bashar al-Assad contra a população do país, mostra um soldado parado diante do corpo do rapaz, a quem pergunta: "Preferes a Alemanha ou a Suécia"?

Outro cartoon, assinado pelo artista Bilal Musa, mostra um camião a descarregar "likes" junto ao corpo de Aylan Kurdi, enquanto outra imagem, divulgada pela comunidade online Muslim Mamas, mostra um grupo de homens do Golfo Pérsico, representados a preto e branco e de pá na mão, a abrir uma campa para sepultar o rapaz, representado a cores. Na legenda, lê-se: "Número de refugiados recebidos pela Arábia Saudita, Kuwait, Qatar e Emirados Arábes Unidos: 0".

Um cartoon da autoria do artista iraniano Mahnaz Yazdani, intitulado "À Procura de uma Terra Segura", mostra várias crianças de rosto alegre e peluches na mão a dormirem na areia, cobertas pelas ondas que chegam do mar.

Khalid Albaih, cartoonista, ilustrador, designer e escritor sudanês a viver em Doha, no Qatar, tornado conhecido pelos seus cartoons sobre a Primavera Arábe, desenhou o menino a ser levado por um anjo, enquanto o seu corpo permanece prostrado na areia. Na legenda, lê-se: "Espero que a humanidade encontre uma cura para os vistos"

No cartoon do designer gráfico sírio Azzam Daaboul, atualmente a viver na Bélgica, alguns seres marinhos, entre eles um tubarão, um polvo e uma baleia choram diante do corpo de Aylan Kurdi.

Rafat Alkhateeb, artista a viver em Omã, na Jordânia, desenhou o menino sobre um mapa separado do mundo por um muro com arame farpado. Em entrevista ao "Independent", Rafat Alkhateeb disse que "a principal ideia do cartoon é que uma criança não se preocupa com as guerras e os crimes". "A criança só sabe uma coisa: que o mundo inteiro é responsável pela sua morte".