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Internacional

Noite de caos no Eurotúnel e na Hungria. Governo austríaco ameaça Cameron

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FOTO ETIENNE LAURENT/REUTERS

Chanceler austríaco ameaça bloquear as negociações da UE com o Reino Unido caso o país não aceite receber migrantes

Depois de uma noite de caos, a estação ferroviária de Keleti, na capital húngara, foi reaberta esta quarta-feira de manhã na sequência de centenas de migrantes terem bloqueado a circulação quando tentavam embarcar em comboios com destino à Alemanha e à Áustria. “Alemanha, Alemanha. Nós também somos humanos”, gritavam alguns migrantes, enquanto forçavam a entrada em comboios, relata a agência Reuters.

Centenas de homens, mulheres e crianças vindos sobretudo da Síria, do Iraque e do Afeganistão estão a ser travados pelas autoridades em várias estações de Budapeste. Durante a noite, grupos de voluntários distribuíram roupas e mantimentos aos migrantes, de forma a responder às suas necessidades básicas. Junto à fronteira da Sérvia, cerca de 100 migrantes também bloquearam a circulação de um comboio que os transportava para o centro de refugiados em Debrecen.

Na entrada para o Eurotúnel, em Calais (França), centenas de outros migrantes dificultaram o serviço do Eurostar entre a Grã-Bretanha e a França, tendo inclusivamente sido interrompida a circulação durante a noite. Apesar da garantia recente do primeiro-ministro francês, Manuel Valls, de que o Eurotúnel estava totalmente protegido, o certo é que os migrantes continuam a conseguir passar a fronteira, em busca de uma vida melhor.

Entretanto, a Áustria ameaçou bloquear as negociações com o Governo britânico no âmbito da União Europeia. O chancelar austriaco Werner Faymann advertiu que irá bloquear o "catálogo de exigências" do Reino Unido, a não ser que o país aceite receber refugiados. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, quer renegociar os termos da participação do seu país na União para, depois, submeter a referendo (até 2017) a permanência do Reino na Europa dos 28.

“Quando penso nos britânicos, que têm o seu próprio catálogo de exigências, porque deveríamos fazer algo por eles? Porque a solidariedade não é uma via de sentido único”, questionou o governante austríaco. Também Angela Merkel apelou na terça-feira à solidariedade europeia, pedindo aos países europeus para acolherem migrantes que fogem do conflito e da miséria, depois de ter assumido a meta da Alemanha: receber 800 mil refugiados.

Recorde-se que o Reino Unido rejeitou o sistema de quotas para migrantes. No próximo dia 14 de setembro decorrerá um conselho extraordinário de ministros da administraçao interna para discutir a crise migratória, que deverá registar algumas divergências entre os países.