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Merkel pede solidariedade à Europa para receber migrantes

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FOTO LASZLO BALOGH/REUTERS

Centenas de migrantes chegaram na segunda-feira de comboio a Munique. Muitos gritavam “Alemanha, Alemanha”. Chanceler germânica voltou a apelar à solidariedade europeia: “Toda a Europa deve agir. Todos os Estados membros devem assumir as suas responsabilidades”

HANNIBAL HANSCHKE/REUTERS

Centenas de migrantes - na sua maioria sírios - chegaram esta segunda-feira a Munique em comboios vindos de Budapeste e Viena. São homens, mulheres e crianças que fogem da guerra e da miséria e que tem esperança em conseguir um futuro melhor em solo europeu.

“Alemanha, Alemanha” , “Mamã Merkel”, gritavam alguns dos migrantes à chegada à estação de comboios alemã, entre sorrisos. “Graças a Deus ninguém nos pediu passaporte. Não tivemos qualquer problema com a polícia”, afirmou à Reuters Khali, um cidadão sírio, de 33 anos, que viajou com a mulher e um filho doente. Tal como os outros migrantes, esta família teve que se dirigir às autoridades germânicas e solicitar um pedido de asilo.

Na Hungria e na Áustria, as viagens de comboio estão a ser alvo de forte controlo policial, enquanto as autoridades aumentaram também o controlo das estradas junto à fronteira, depois de pelo menos 70 migrantes terem sido encontrados mortos num camião na Áustria.

Depois de Angela Merkel ter assumido a meta da Alemanha receber 800 mil refugiados, a chancelar alemã apelou mais uma vez ontem à solidariedade dos Estados membros para responder à crise migratória.

“A situação não é nada satisfatória Se não conseguirmos uma distribuição equitativa [dos migrantes] muitos voltarão a questionar o acordo de Schengen. E isso é algo que nós não desejamos. Toda a Europa deve agir. Todos os Estados membros devem assumir as suas responsabilidades”, declarou Angela Merkel numa conferência de imprensa em Berlim.

Perante uma Europa dividida, a chanceler alemã avisou que a proposta que está a preparar com o governo francês inclui a definição de quotas obrigatórias de migrantes para cada país europeu. Será mais uma tentativa de responder à crise migratória, depois de países como a Espanha e o Reino Unido terem recusado aceitar quotas que atendessem a critérios como a populção e a taxa de desemprego.

“Estamos perante um grande desafio nacional. Será um desafio que durará não só alguns dias ou meses, mas um longo período de tempo. Não apoiem os cidadãos alemães xenófobos. Essa é a Alemanha obscura”, acrescentou Merkel, reiterando a expressão já utilizada recentemente pelo Presidente germânico Joachim Gauck.

No próximo dia 14 de setembro decorrerá uma cimeira extraordinária para discutir a crise migratória, que deverá contar com posições contrárias de alguns países europeus.

  • Acordo de Schengen em causa?

    A Áustria anunciou medidas mais apertadas no controlo de fronteiras, mas garante que não está a violar as regras europeias. Líderes europeus reúnem-se daqui a duas semanas para discutir a crise de refugiados que assola a Europa. No entanto, um consenso parece estar longe