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Lembra-se do filme “A grande evasão”? Morreu o penúltimo sobrevivente real

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Royle tinha memórias “muito vívidas” do dia em que fugiu, da “neve e dos pinheiros” encontrados à saída do túnel

Ex-piloto da Força Aérea, Paul Royle tinha 101 anos e foi um dos 76 prisioneiros que conseguiram escapar de um campo de concentração nazi, em 1944. A fuga inspirou o célebre filmecom Steve McQueen, cujo trailerpode recordar

Era o penúltimo sobrevivente do grupo de prisioneiros que, em 1944, conseguiu evadir-se do campo de concentração nazi Stalag Luft III, na Polónia. Aos 101 anos, morreu o australiano Paul Royle, um dos veteranos da II Guerra Mundial que inspiraram o célebre filme “A grande evasão”.

Segundo o seu filho, o ex-piloto da Força Aérea sofreu uma queda que lhe causou uma fratura na anca. Hospitalizado, foi submetido a uma cirurgia, no domingo, mas acabou por não resistir.

Royle foi um dos 76 prisioneiros que conseguiram escapar ao jugo nazi, através de um túnel de dez metros por eles escavado no campo de concentração, localizado nas imediações da cidade polaca de Zaga.

Após a fuga, apenas três dos militares aliados conseguiram a liberdade. A Gestapo recapturou os restantes, tendo 50 sido executados por ordem de Hitler. Paul Royle e o britânico Dick Churchill, atualmente com 95 anos, foram dois dos 23 prisioneiros poupados à morte.

Um outro piloto australiano, Paul Brickhill, passou a história para as páginas de um livro, que por sua vez inspirou Hollywood. Estreado em 1963, com Steve McQueen como protagonista, “A grande evasão” conta como foi posto em prática um plano, que tinha tanto de ousado como de perigoso.

Ao escavarem o solo às escondidas, os prisioneiros tinham de se libertar da areia retirada sem dar nas vistas. Transportavam-na nos bolsos das calças, para a depositar no exterior, debaixo do nariz dos seus vigilantes.

“Era preciso ter muito cuidado, porque a areia do túnel tinha uma cor diferente da terra à superfície e não a podíamos largar em qualquer sítio”, recordou Royle à ABC, numa entrevista dada em 2004, quando se cumpriram 70 anos sobre a fuga.

Nessa altura, disse ter memórias “muito vívidas” do dia em que fugiu, da “neve e dos pinheiros” encontrados à saída do túnel e do “muito frio” que sentiu.

Recapturado, esteve preso mais cinco anos até finalmente regressar à Austrália, onde trabalhou na indústria mineira.
Sobre o filme que imortalizou a sua história e a dos companheiros de fuga, chegou a manifestar o seu desagrado: “Não havia motos... e os americanos não estavam lá”.