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Queda e reconstrução de uma cidade que perdeu tudo

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Uma semana depois do furacão ter atingido Nova Orleães, algumas zonas da cidade continuavam inundadas

GERARDO MORA / Getty Images

Assinalam-se este sábado dez anos desde que o furacão mais mortífero da história dos Estados Unidos atingiu e devastou Nova Orleães. A cidade já é outra 3650 dias depois, mas ainda há muito por recuperar

Foi há dez anos. Os olhos do mundo estavam voltados para o sul dos Estados Unidos. Através das televisões e antecipações dos meteorologistas, o mundo pôde testemunhar aquele que foi o desastre natural mais feroz da história norte-americana, que a 29 de agosto atingia a cidade de Nova Orleães: o furacão Katrina.

Ventos que corriam a mais de 200 km/h, chuvas fortes e uma grande tempestade provocaram grandes danos no estado do Louisiana, deixando 80% de Nova Orleães submersa, quase dois mil mortos e mais de um milhão de desalojados (o desastre provocou, aliás, a maior crise de refugiados no país desde a Guerra Civil - e, consequentemente, uma crise social e política, marcada por uma falta de preparação de autoridades e líderes políticos para uma tragédia destas dimensões).

Apesar dos avisos dos meteorologistas, muitas pessoas ficaram em casa, sem meios para sair ou sem noção do que aí vinha: nas palavras de Barack Obama (que esta quinta-feira se encontra em Nova Orleães para assinalar o 10.º aniversário da passagem do furacão Katrina), o “desastre natural mais dispendioso da história dos Estados Unidos”. Em todos os sentidos.

Mark Wilson / Getty Images

Antes do Katrina, depois do Katrina

Dez anos depois, a reconstrução da cidade não está concluída. Não é só na memória de quem o viveu que persistem as marcas - ou recordações - desse dia negro. Muitos fugiram e não voltaram. Só recentemente, e uma década passada, a cidade terá recuperado cerca de 80% da população que tinha antes do desastre - cerca de 40 mil pessoas terão chegado a Nova Orleães depois do Katrina, avança a Associated Press (AP).

O aeroporto Louis Armstrong, que albergou milhares de refugiados nos dias que se seguiram à tragédia - conseguiu, finalmente, ultrapassar o número de turistas que por aí chegavam à cidade antes da passagem do furacão. Casas foram reconstruídas, escolas reabertas e um memorial erigido em homenagem às vítimas desse dia 29 de agosto de 2005.

Ainda assim, os 120 mil milhões de dólares (106 mil milhões de euros) necessários para a reconstrução não seriam suficientes para resolver uma cidade destruída. Os números divulgados pela AP falam por si: as desigualdades entre comunidades brancas e negras persistem (o rendimento das segundas é cerca de metade quando comparado com o das primeiras) e cerca de 39% das crianças em Nova Orleães vivem na pobreza.