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Hungria reforça medidas de segurança para travar entrada de migrantes

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Migrantes sérvios caminham sobre uma linha de comboio, depois de atravessarem a fronteira húngara. Num só dia, mais de 3200 clandestinos foram intercetados pela polícia no país

BERNADETT SZABO/ REUTERS

Governo húngaro anunciou que vai destacar mais de 2000 agentes para vigiarem a fronteira com a Sérvia, apoiados por cães e helicópteros

O tema não sai da capa dos jornais. Chamem-lhes refugiados ou migrantes, chegam aos milhares depois de abandonarem os seus países de origem e tornaram-se um dos maiores problemas a desafiar a capacidade de resposta da Europa.

O balanço está em permanente atualização. Só esta quarta-feira, a polícia da Hungria intercetou 3241 pessoas, entre as quais 700 menores, após terem cruzado a fronteira ilegalmente a partir da Sérvia. As forças de segurança falam em número recorde, que faz aumentar a tensão no país, um dos pontos migratórios mais quentes da Europa.

O Governo ultraconservador de Viktor Orban prepara-se para ripostar e anunciou esta quinta-feira que vai reforçar a fronteira com a Sérvia, destacando mais de 2100 agentes de policía, que serão apoiados por helicópteros e cães. A medida está a ser preparada a grande velocidade, devendo tornar-se efetiva já em meados de setembro, em simultâneo com a conclusão da vedação de arame farpado, com quatro metros de altura, que está a ser erguida ao longo de 175 quiilómetros.

Espera, assim, travar a entrada a sírios, afegãos, iraquianos e paquistaneses, nacionalidades mais comuns dos que procuram um novo destino, seja para ficar na Hungria, seja para fazer deste país um ponto de passagem para chegar a Estados mais ricos, como a Alemanha e a Áustria.

Medo da extradição

À chegada, o principal receio dos migrantes é a obrigatoriedade de se identificarem se detetados pela polícia. Para o efeito são encaminhados para centros de acolhida e temem, depois, pela extradição.

Muitos tentam resistir. Ainda esta manhã, a policia húngara recorreu ao gás lacrimógeneo para fazer frente a várias centenas de pessoas num desses centros, que se recusavam a facilitar a sua identificação.

Um voluntário de uma ONG local, Balázs Gzalai, confirma o incidente ao “El País”: “Isso pode significar serem devolvidos a outros países”, explica, para acrescentar que os agentes dificultam o trabalho humanitário “constantemente”.

Imigrantes aumentam no Reino Unido

Entretanto, dados divulgados no Reino Unido mostram o aumento líquido de imigrantes no país, O total subiu de 236 mil para 329 mil em março, face aos 12 meses anteriores, uma evolução que o Governo considera “profundamente dececionante”. Recorde-se que o primeiro-ministro David Cameron tinha mostrado intenções de reduzir o número para 100 mil em maio deste ano.

No dia em que, a propósito da atual vaga de migrantes, o alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados, António Guterres, pediu mais solidariedade e humanidade aos governos europeus, a Áustria acolhe uma cimeira regional dos Balcãs, centrada nesta crise. Entre outros líderes, participa a chanceler alemã Angela Merkel.