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Atirador que matou jornalistas: “Sou um barril de pólvora humano”

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Ao longo das 23 páginas do fax enviado para a ABC, Flanagan justifica a sua ira pelo facto de, segundo ele, ter sido toda a vida descriminado

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Duas horas depois de ter morto a tiro dois jornalistas, Vester Flanagan enviou um fax de 23 páginas para a ABC News, onde dizia que foi discriminado no trabalho por ser um homem negro e gay e justificava as suas ações. A estação de televisão avisou de imediato as autoridades

Há semanas que um tal de Bryce Williams telefonava para a redação da ABC News, em Nova Iorque. E a conversa era sempre a mesma: tinha uma história que queria publicar. Nunca disse qual era a história. Esta quarta-feira, voltou a ligar, dizendo que o nome verdadeiro era Vester Lee Flanagan e que tinha morto a tiro duas pessoas. Antes enviou um fax de 23 páginas.

Esta manhã milhões de norte-americanos viram em direto, por volta das 6h45 (11h45 em Lisboa) a morte da jornalista Alison Parker, 24 anos, e do repórter de imagem Adam Ward, de 27, que estavam em reportagem quando foram abatidos a tiro.

Às 8h26 (13h26 em Lisboa), chegava um fax à redação da ABC News. Tinha 23 páginas. “O meu nome é Bryce Williams”, mas “o meu nome legal é Vester Lee Flanagan II”, começa assim o texto. O autor assume tratar-se de uma “nota de suicídio para a família e amigos”.

Um pouco depois das 10h, um homem, que se identifica como Flanagan telefonou a confirmar que tinha morto duas pessoas e que a “polícia estava atrás dele”. Nada mais disse. Desligou a chamada.

A ABC NEWS contactou imediatamente as autoridades e avisou que tinham recebido a chamada e o fax. Na conferência de imprensa desta tarde, a polícia do estado da Virgínia não confirma esta história, no entanto diz que tem em sua posse um documento que foi enviado por fax para uma organização em Nova Iorque.

Atacado por ser negro e gay, uma reação a um massacre e... um herói

As 23 páginas servem para Vester Lee Flanagan se justificar. É uma vítima. Denuncia discriminação racial, bullying e assédio sexual no trabalho e os principais agressores foram “homens negros e mulheres brancas”. Escreve que foi sempre atacado por ser um “homem negro e gay”.

“Sim, continuo zangado... mesmo zangado. E tenho todo o direito de estar. Mas quando deixar a Terra, a única emoção que quero sentir é paz... O tiroteio na igreja foi a gota de água, mas a minha raiva tem sido um acumular de situações. Há muito tempo que sou um barril de pólvora humano, esperem só até BOOM!”, justifica.

Matou dois jornalistas em reação ao massacre a 19 de junho numa igreja em Charleston, na Carolina do Sul. Dylann Roof, um jovem de 21 anos, entrou na Igreja Emanuel Metodista Episcopal Africana de Charleston e disparou indiscriminadamente. Morreram nove pessoas.

“O que me motivou foi o tiroteio na igreja. As minhas balas têm cravadas as iniciais das vítimas”, lê-se no fax, citado pela ABC News.

Vester Lee Flanagan diz a dada altura que foi uma Testemunha de Jeová que o incentivou a avançar com o ataque.

Mas há um herói. Ou pelo menos uma inspiração. O atirador refere-se ao autor do massacre da Universidade da Virgínia. Aplaude e mostra admiração por Seung Hui Cho, o rapaz que em 2007 matou 21 estudantes universitários a tiro. Na altura o incidente ficou conhecido como Virgínia Tech.

“Fui também influenciado pelo Seung–Hui Cho. Esse é o meu rapaz. Ele conseguiu fazer quase o dobro do que o Eric Harrisand e o Dylann Klebold fizeram, acrescenta Flanagan. A dupla, em 1999, matou 13 pessoas a tiro numa escola secundária em Columbia. Em seguida, suicidaram-se.