Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Merkel e Hollande reúnem-se para discutir a crise migratória na Europa

  • 333

Milhares de migrantes cruzaram a fronteira da Grécia com a Macedónia este domingo, intensificando aquela que já é a maior crise migratória na Europa desde a Segunda Guerra Mundial

GEORGI LICOVSKI/REUTERS

A chanceler alemã recebe o Presidente francês esta segunda-feira em Berlim para discutir as quotas de entradas de migrantes e ainda a crise na Ucrânia. Durante o fim de semana, a crise migratória intensificou-se, com milhares de migrantes a entrarem na Macedónia e a serem enviados para a Sérvia

A chanceler alemã Angela Merkel e o Presidente francês François Hollande reúnem-se esta segunda-feira em Berlim para discutirem a crise migratória na Europa, para além da crise na Ucrânia, segundo avançou o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Laurent Fabius.

O encontro desta segunda-feira decorre depois de mais de 5000 migrantes já terem sido enviados da Macedónia para a Sérvia, de comboio e autocarro, dada a incapacidade da Macedónia em acolher os milhares de migrantes que têm entrado no país, depois de cruzarem a fronteira com a Grécia.

A Macedónia declarou o estado de emergência na passada quinta-feira e nessa altura fechou a fronteira com a Grécia, para controlar a entrada de migrantes, mas teve de a reabrir entre a madrugada de sábado e domingo, com milhares de pessoas a dormirem na rua, e sem acesso a comida nem água.

Ainda este sábado, enquanto as autoridades macedónias ainda tentavam travar a entrada dos migrantes no país, cruzando a fronteira com a Grécia, ocorreram confrontos com a polícia.

As decisões já tomadas “não chegam”

A crise migratória, que é tida como a maior desde o final da II Guerra Mundial, intensificou-se este fim de semana com a marinha italiana a resgatar mais de 4400 pessoas, encontradas em dezenas de embarcações no Mediterrâneo.

“Tem de haver um novo ímpeto para se fazer o que já foi decidido e olhar para o problema sob novas perspetivas”, afirma fonte da presidência francesa à France Presse. A mesma fonte admite que as decisões já tomadas na União Europeia “não chegam, não são suficientemente rápidas e não servem”.

As prioridades de Merkel e Hollande passarão por fazer uma lista de países cujos cidadãos não terão resposta a pedidos de asilo, a não ser em circunstâncias excecionais. Até agora não tem havido consenso para elaborar esse tipo de lista, o que ilustra a falta de “uma política europeia completa” para lidar com os milhares que procuram refúgio no continente.

Os dois líderes querem também acelerar a instalação de centros de acolhimento na Grécia e na Itália para identificar requerentes de asilo e imigrantes ilegais. “Enquanto estes centros não estiverem instalados e não houver solidariedade interna dentro da União Europeia, o regresso dos migrantes aos seus países de origem - que dissuadiria novas chegadas - não vai acontecer”, argumenta a fonte do Eliseu.

O vice-chanceler alemão Sigmar Gabriel afirmou este domingo que o aumento do número de pedidos de asilo - que este ano deverá exceder 800 mil - é “o maior desafio para a Alemanha desde a reunificação”, em 1990.

Espera-se que nos próximos dias cheguem à Sérvia mais migrantes, à medida que vão chegando mais pessoas à Grécia e à Macedónia.