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Heróis que evitaram ataque no TGV recebem Legião de Honra

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O Presidente françês François Hollande (esqª) cumprimenta Alek Skarlatos (segundo à esqª), Spencer Stone (centro) e Anthony Sadler, sob o olhar da embaixadora dos EUA em França, Jane Hartley

YOAN VALAT/ EPA

Os três americanos e o britânico que dominaram o cidadão marroquino a bordo de um comboio TGV, impedindo um mais do que provável atentado terrorista, foram esta segunda-feira condecorados por François Hollande no Palácio do Eliseu

Os três americanos e o britânico que dominaram um indivíduo armado, evitando um atentado na passada sexta-feira, num comboio TGV que fazia a ligação Paris-Amesterdão, receberam esta segunda-feira a Legião de Honra, a mais alta condecoração do Estado francês.

A cerimónia, que distingue a coragem de Spencer Stone, 23 anos, Alek Skarlatos, 22 - dois soldados em férias -, o seu amigo Anthony Sadler, 23, e o britânico Chris Norman, de 26, foi presidida pelo Presidente François Hollande, no Palácio do Eliseu.

Segundo um porta-voz dos serviços presidenciais, também o franco-americano Mark Moogalian, de 51 anos, que foi baleado no comboio e permanece internado, e um passageiro francês que tentou imobilizar Ayoub El Khazzani, o atacante, vão ser distinguidos.

As autoridades continuam, por outro lado, a investigar o atirador, referenciado em quatro países europeus (Espanha, França, Alemanha, Bélgica) por ligações ao radicalismo islâmico. Ayoub El Khazzani, um marroquino de 25 anos, nega ter entrado no comboio para concretizar um ato terrorista, justificando o transporte de armas por planear assaltar os passageiros, uma versão desmentida quer pela polícia quer pelas pessoas que viajavam no TGV.

El Khazzani entrou no comboio com uma Kalashnikov, nove recargas, uma pistola automática Luger e uma arma branca. Segundo a advogada Sophie David, a Kalashnikov foi encontrada numa mala, num parque perto da estação ferroviária de Bruxelas, onde dormia com outros sem-abrigo. A defensora diz que o marroquino pretendia apenas realizar um assalto para conseguir dinheiro “para comprar comida”. Mas em jeito de resposta, um dos passageiros do TGV, Anthony Sadler, citado pelos media franceses, sustenta que “não são necessários oito carregadores para assaltar um comboio”.

Sabe-se também que Ayoub El Khazzani viveu sete anos na Espanha, de 2007 a março de 2014, e foi detido por mais de uma vez por “tráfico de drogas”. Depois de ter cruzado a fronteira francesa há mais de um ano, partiu deste país para a Síria para se juntar aos terroristas do grupo autodenomidado Estado Islâmico (Daesh). El Kahzzani regressou a França em maio deste ano. Mais recentemente ,fixou-se na Bélgica, onde tem família.

Entretanto, o ator Jean-Hugues Anglade, que seguia no comboio, acusa os funcionários da companhia férrea Thalys de terem abandonado os passageiros à sua sorte. Segundo Anglade, durante o ataque, os funcionários fecharam-se na carruagem principal, recusando abrir a porta apesar dos vários pedidos de ajuda.