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Os amigos americanos que evitaram tragédia no TGV francês

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Anthony Sadler e Alek Skarlatos mostram as suas medalhas, durante uma cerimónia de homenagem em Arras, no norte da França

AFP / Getty Images

Skarlatos, Spencer e Sadler. Os três amigos, ajudados por um consultor britânico, conseguiriam deter o atacante e evitar um massacre, esta sexta-feira

Primeiro, foi o ruído. “Ouvimos um disparo e o ruído de vidros partidos”, explicou em conferência de imprensa Alek Skarlatos, em Arras, no norte de França, referindo-se aos disparos que o atacante realizara na última carruagem. “Olhei para trás e vi um homem a entrar na nossa carruagem [a penúltima] com uma kalashnikov. Eu e o meu amigo tentámo-nos cobrir e depois lançámo-nos sobre ele.”

O jovem de 22 anos - membro da Guarda Nacional do estado norte-americano de Oregon, que até julho tinha estado no Afeganistão - encontrava-se esta sexta-feira no TGV que fazia a ligação entre Amesterdão e Paris. Skarlatos não ia sozinho. Com ele, numa viagem pela Europa, iam o estudante de 23 anos Anthony Sadler e Spencer Stone, membro da Força Aérea norte-americana. Amigos de infância, os três mal poderiam imaginar que iriam estar no meio de um tiroteio - e que sairiam daquele comboio como heróis.

Eram quase 18h (17h em Lisboa). Preparado para disparar, um marroquino de 26 anos entrou na carruagem, armado com uma kalashnikov, uma pistola automática e uma faca. O homem tentava desencravar a arma para continuar o ataque. Alek gritou: "Spencer, vai!" e o jovem correu na direção do atacante. "Spencer aproxima-se do homem, detém-no e Alek tira-lhe a arma".

O homem tira uma faca e fere Spencer no pescoço - e por pouco não lhe corta também o dedo da mão. Spencer encontra-se neste momento hospitalizado e duas outras pessoas ficaram feridas.

O momento da luta é relatado ao "El País" pelo consultor britânico de 62 anos, Chris Norman, que também seguia na mesma carruagem e que ajudou os três amigos a atar o suspeito. Perante aquele cenário de instabilidade, e numa tentativa de evitar um massacre, os amigos não hesitaram: "Batemos-lhe até ficar inconsciente". O comboio faria uma paragem de emergência em Arras, na fronteira entre França e a Bélgica, onde o homem de origem marroquina seria detido.

De viajantes a heróis

A "atitude heroica" dos dois soldados norte-americanos, ajudados pelo amigo e pelo consultor britânico, já foi elogiada por Barack Obama. O Presidente norte-americano demonstrou o seu "apreço pela coragem e capacidade de resposta de vários passageiros", incluindo dois membros das forças armadas dos Estados Unidos que "dominaram o atacante" e impediram "uma tragédia muito pior".

"Sou um simples estudante que veio visitar os seus amigos na sua primeira viagem à Europa e acabámos a deter um terrorista", afirmou Sadler, de 23 anos. "É uma loucura."

O ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, admitiu que os acontecimentos podem ”ser de natureza terrorista”, classificando o comportamento do atacante como “extremamente perigoso”. O incidente está a ser investigado pelo departamento antiterrorismo do Ministério Público francês.