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Alerta interno. “Tremer de pernas” de Tsipras pode ter réplica no Podemos

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Teresa Rodríguez (líder do Podemos na Andaluzia, a maior e mais populosa região de Espanha), na imagem ao lado de Pablo Iglesias, é uma das que defende uma candidatura “de unidade popular” nas eleições

GOGO LOBATO / AFP / Getty Images

“Estou aterrorizada com o tremer de pernas de Tsipras, depois de ter conseguido um ‘não’ claro da cidadania para desobedecer à troika. Tenho medo que isso também possa acontecer-nos”, diz Teresa Rodríguez, líder do Podemos na Andaluzia

A líder do Podemos da Andaluzia, Teresa Rodríguez, admite que o seu partido pode vir a passar pelo “mesmo tremer de pernas” do primeiro-ministro grego Alexis Tsipras, que se demitiu esta quinta-feira e defendeu a realização de eleições antecipadas.

“Estou aterrorizada com o tremer de pernas de Tsipras, depois de ter conseguido um ‘não’ claro da cidadania para desobedecer à troika. Tenho medo que isso também possa acontecer-nos”, declarou Teresa Rodríguez numa intervenção na VI Universidade de Verão de Anticapitalistas, em Segóvia. A intervenção da dirigente foi depois reproduzida num comunicado e noticiada esta sexta-feira pela agência EFE.

O Podemos, que se considera um “partido irmão” do Syriza de Alexis Tsipras, tem vindo a perder fôlego nas sucessivas sondagens e a liderança de Pablo Iglesias enfrenta cada vez mais vozes contestatárias entre os principais dirigentes da formação.

Uma das principais críticas é que o Podemos não quer fazer alianças com outras forças políticas de esquerda (à exceção de algumas comunidades autónomas) com vista às eleições gerais do final do ano (ainda sem data marcada).

Teresa Rodríguez (líder do Podemos na maior e mais populosa região de Espanha) é uma das que defende uma candidatura “de unidade popular” nas eleições - como tem sido pedido por plataformas como a Ahora en Común, Izquierda Unida ou forças regionalistas como a Compromís, de Valência. A dirigente andaluza insiste que é esse o caminho a seguir.

“Façamos um esforço para construir uma candidatura de unidade popular, ao mesmo tempo que fazemos as nossas críticas, porque só assim conseguiremos convencer os nossos companheiros”, salienta.

Rodriguez lamenta a falta nas ruas de pessoas como as do Movimento 15-M e critica a “escassa” relevância dos espaços de participação política do seu próprio partido, o Podemos. “Vamos ganhando, mas não sabemos como dar o xeque-mate ao nosso inimigo e acabar com a partida”, realça a dirigente.

Na votação através da qual as bases do Podemos aceitaram a estratégia eleitoral da direção do partido apenas participaram cerca de 10% dos mais de 375 mil inscritos nesta formação política. Ainda assim, dos 45 mil votantes, 85% aceitaram a estratégia, que descarta um acordo a nível global com outras plataformas de unidade popular. Apenas a nível autonómico o Podemos fará alianças.

Esta quinta-feira, Tsipras anunciou a sua demissão e apelou à convocação de eleições antecipadas na Grécia, numa declaração ao país através da televisão pública grega. A demissão surge seis dias depois de o Parlamento grego ter aprovado o terceiro resgate financeiro ao país (86 mil milhões de euros), numa votação em que 47 deputados da ala mais radical do Syriza votaram contra.

Dois dias antes, o líder do Podemos publicou no Twitter uma foto sua ao lado de Tsipras (durante um ato de campanha) e a frase, em grego e em espanhol: “Somos amigos e camaradas a lutar por uma Europa democrática, ainda que a alguns não lhes agrade. Syriza, Podemos: venceremos”.