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Jovem negro morto pela polícia desencadeia violentos protestos em St. Louis

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Sob proteção policial, bombeiros tentam apagar o fogo num edifício abandonado de St. Louis, na sequência de tumultos causados pela morte de um jovem negro abatido por agentes da polícia da cidade norte-americana

LAWRENCE BRYANT / Reuters

A morte de um jovem negro armado, abatido quarta-feira pela polícia norte-americana, voltou a atear a tensão racial numa cidade do Missouri

Pelo menos nove pessoas foram detidas e a polícia usou gás lacrimogéneo para dispersar, na noite desta quarta.feira, os manifestantes que bloquearam ruas e lhes atiraram pedras e garrafas em St. Louis, em sequência da morte de um jovem negro armado, abatido durante uma operação policial num dos bairros mais problemáticos da cidade do Missouri.

St. Louis fica localizada próxima de Ferguson, onde há um ano o jovem negro desarmado Michael Brown foi morto a tiro por um polícia branco, gerando uma vaga de protestos sobre a atuação abusiva das autoridades sobre as minorias étnicas.

Esta quarta-feira ocorreu mais um caso de um jovem negro morto por polícias brancos, mas desta feita as autoridades indicam que o seu alvejamento mortal ocorreu após a vítima lhes ter apontado uma arma.

O caso ocorreu quando dois polícias estavam prestes a iniciar uma busca a uma residência. Antes entrarem na casa, dois jovens negros saíram pela porta das traseiras, colocando-se em fuga. A polícia ordenou-lhes que parassem, mas um deles, Mansur Ball-Bey, de 18 anos, apontou-lhes uma arma, o que os levou a abrirem fogo, alvejando-o com quatro tiros que levaram à sua morte.

“Os detetives estavam à procura de armas, à procura de criminosos, à procura de pessoas que haviam cometido crimes naquele bairro”, afirmou o chefe da polícia de St Louis, Sam Dotson,

Falando durante uma conferência de imprensa, Dotson referiu que para além da arma do jovem mortalmente alvejado, que era roubada, a polícia encontrou ainda outras duas na residência, assim como crack (um derivado da cocaína). Um homem e uma mulher que se encontravam dentro da casa foram detidos, mas o outro jovem que saíra da casa, com cerca de 20 anos, conseguiu fugir.

Polícias colocados em licença administrativa

Os agentes brancos envolvidos na operação têm 29 e 33 anos e uma carreira de cerca de sete anos na polícia, tendo sido colocados em licença administrativa.

O responsável policial atribuiu as culpas dos violentos distúrbios, que depois ocorreram naquela zona da cidade, a pessoas que procuram obter “notoriedade” num bairro atingido pela “praga da violência”.

Cerca de 150 pessoas começaram por reunir-se no local onde ocorreu a morte do jovem negro, questionando a atuação policial. Alguns entoaram o cântico “As vidas negras importam”, o mesmo usado aquando da morte de Brown.

A situação acabou por dar lugar aos violentos confrontos com as autoridades. A polícia diz que foi ainda chamada para responder a diversos assaltos que tiveram lugar naquela zona, onde o ateamento de fogo de uma viatura que exigiu também a presença dos bombeiros.

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