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Jean Marie Le Pen volta a ser expulso da Frente Nacional

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Jean-Marie Le Pen foi expulso do partido que fundou

© Charles Platiau / Reuters

Foi expulso em maio, mas recorreu da decisão na justiça, que lhe restitui a militância do partido. A história repete-se: nova decisão, novo recurso. "Acredito, que mais uma vez, vou voltar a ganhar"

O partido de extrema-direita francês Frente Nacional (FN) decidiu esta quinta-feira expulsar Jean Marie Le Pen, cofundador daquela formação política, devido a declarações antissemitas.

A decisão foi tomada pelo comité executivo do partido, liderado pela sua filha Marine Le Pen, durante um encontro em Nanterre, arredores de Paris, onde Jean Marie Le Pen participou.

Jean Marie Le Pen, 87 anos, afirmou há uns meses que as câmaras de gás dos campos de concentração nazis não são mais que "um detalhe" da história.

"A decisão completa e justificada será enviada brevemente a Jean Marie Le Pen", indicou, num breve comunicado, o partido, no qual apenas avança que a medida foi tomada pela "maioria" necessária para ser adotada.

O partido já tinha expulsado Le Pen uma vez em maio, mas o veterano político recorreu da decisão na justiça, que lhe restitui a militância do partido pelo facto de o processo de expulsão ter sido feito de forma ilegal.

Jean Marie Le Pen defendeu-se esta quinta-feira durante mais de três horas e no final do encontro afirmou desejar que o "polémico episódio seja uma etapa para a reunificação ativa do FN".

No encontro, não estiveram nem a sua filha, atual presidente do partido, nem o número dois, Florian Philippot, por considerarem que as questões pessoais com o fundador não permitem que tenham uma decisão "imparcial".

“Agressões injustas da minha filha afetam-me ainda mais”

"Quando me notificarem oficialmente contestarei a decisão junto das autoridades judiciais e acredito, que mais uma vez, vou voltar a ganhar", disse Le Pen a um canal de televisão, advertindo para as consequências da decisão tomada pelo partido.

Jean-Marie Le Pen, pai da atual presidente do partido Marine Le Pen, afirmou que quem tomou a decisão não refletiu bem sobre a "gravidade dos seus atos" e fez "cálculos errados sobre a opinião pública".

Le Pen, para quem a nova presidente do partido "não tolera a mínima oposição", admitiu que este conflito é um duelo a nível pessoal.

"Sou pai e quando estas agressões injustas vêm da minha família, da minha filha, afetam-me ainda mais que quando são feitos por um adversário desconhecido", concluiu.

  • A extrema-direita ganha terreno no Reino Unido ou na Finlândia em nome de um egoísmo nacional que se mascara de defesa da soberania democrática. Em França, como uma frente popular e patriótica em defesa de adquiridos sociais. Na Grécia, como reação à miséria e à humilhação nacional. Baseia-se em problemas reais para dar respostas simples. A única coisa que ainda nos protege desta gente são as suas idiossincrasias, bem visíveis no delicioso confronto entre Marine Le Pen e o seu pai. Mas são apenas dores de crescimento. Depois delas, a extrema-direita vai parecer menos indigesta. Quem, nesta Europa em processo de autodestruição, lhes preparou o caminho que carregue na sua consciência o legado político que deixa aos nossos filhos.