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Russos pedem 23 anos de prisão para realizador que EUA e Europa querem ver em liberdade

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STRINGER / Reuters

Academia de Cinema Europeu lançou uma petição de apoio, apelando à justiça para “libertar e reabilitar imediatamente” o cineasta. Os realizadores Ken Loach e Wim Wenders estão entre os signatários

Procuradores russos pediram esta quarta-feira uma pena de prisão de 23 anos para o cineasta ucraniano Oleg Sentsov por acusações de terrorismo, num julgamento criticado pelo Ocidente.

Sentsov e outro ucraniano da Crimeia (península ucraniana anexada pela Rússia), Alexander Kolchenko, estão detidos desde maio de 2014, sendo acusados de incendiarem uma sede de um partido pró-Kremlin e de pretenderem fazer explodir uma estátua de Vladimir Lenine na principal cidade da Crimeia, Simferopol. Os procuradores pediram uma pena de prisão de 12 anos para Kolchenko, ativista pró-Kiev na Crimeia que se opôs à anexação russa da península o ano passado.

Apoiantes dos dois homens, que estão a ser julgados como russos apesar de nunca terem pedido a nacionalidade russa, dizem que o processo contra eles foi fabricado e quer a União Europeia e quer os Estados Unidos pediram a sua libertação. A Academia de Cinema Europeu, associação que reúne cerca de 3.000 profissionais do cinema, lançou terça-feira uma nova petição de apoio, apelando à justiça para "retirar as acusações" e "libertar e reabilitar imediatamente Oleg Sentsov", de 39 anos.

Os realizadores Ken Loach (britânico), Wim Wenders (alemão), Bertrand Tavernier (francês) e Aki Kaurismaaki (finlandês) estão entre os 15 signatários do apelo. Vários cineastas russos, de Alexandre Sokurov ao conservador Nikita Mikhalkov, pediram ao presidente Vladimir Putin a sua libertação.

Advogados de defesa dizem que testemunhas foram torturadas para implicar Sentsov e Kolchenko em atividades que envolvem a organização de extrema-direita ucraniana Setor Direita, proibida na Rússia. Duas testemunhas contra Sentsov e Kolchenko já foram condenados a prisão por envolvimento no mesmo caso e depois de se terem recusado a testemunhar em tribunal.

No mês passado, a Amnistia Internacional disse existirem "preocupações sérias em relação ao direito dos dois homens terem um julgamento justo", devido a acusações excessivas e a alegações de tortura.