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Dois concertos inesperados e improváveis para celebrar “a libertação”

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Coreia do Norte celebrou de forma rara uma data histórica do país - com uma banda industrial saída da Eslovénia

Os Laibach, banda eslovena de música industrial, realizaram esta quarta-feira o primeiro de dois concertos na Coreia do Norte (o segundo está marcado para esta quinta-feira), no âmbito do “70.º aniversário da libertação da península do invasor japonês”. O grupo atuou no Teatro das Artes de Ponghwa, em Pyongyang, perante uma audiência de cerca de 1500 norte-coreanos, aos quais se somaram 150 ocidentais, diplomatas, funcionários de ONG e turistas.

As letras das músicas foram apresentadas em legendas num ecrã colocado acima da zona do palco. “Toda a gente permaneceu sentada nos seus lugares durante o tempo todo e não houve propriamente ninguém a bater palmas ou a entoar as músicas, mas isso é o habitual em concertos aqui”, descreveu ao site AsiaOne Simon Cockerell, o manager da banda, que organizou uma viagem de turistas que assistiram ao concerto.

Fundada em 1980, na antiga Jugoslávia, a banda Laibach foi buscar o seu nome ao usado pelos nazis para denominar a capital da Eslóvenia, Liubliana, durante a sua ocupação. O seu imaginário recorre à simbologia nazi e a fardas ao estilo dos regimes totalitários. O grupo recusa contudo a ideia de partilhar de um ideário fascista. “Somos tão nazis quanto o Hitler era pintor”, afirmaram os seus membros anteriormente.

A música popular é restringida na Coreia do Norte às bandas aprovadas pelo regime, mas a música ocidental tem vindo a chegar mais ao país, através de aparelhos portáteis e CD e PEN e USB levados clandestinamente.