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Resgate à Grécia agita partido de Angela Merkel

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Angela Merkel enfrenta objeções por parte de dezenas de deputados democratas-cristãos

BERND VON JUTRCZENDA/EPA

O Parlamento alemão vota, na quarta-feira, o novo programa de assistência financeiro à Grécia. Angela Merkel enfrenta uma rebelião no seio da sua bancada parlamentar (CDU/CSU) por parte de deputados que exigem o envolvimento do FMI

Margarida Mota

Jornalista

Apesar da “luz verde” dada pelo Eurogrupo a um novo programa de assistência financeira à Grécia, no valor de 86 mil milhões de euros, o processo necessita agora de ultrapassar as reservas de vários Parlamentos nacionais, entre os quais o alemão.

Com a votação prevista para quarta-feira, o “sim” ao terceiro resgate aos gregos está a enfrentar oposição no Bundestag (câmara baixa) por parte de deputados da maioria. Segundo a agência Reuters, mais de um quarto dos deputados da bancada composta por democratas-cristãos (CDU), o partido de Angela Merkel, e pelo partido irmão da Baviera (CSU) poderão votar contra. No total, a bancada CDU/CSU tem 311 deputados.

No mês passado, 65 deputados afetos à coligação já se tinham manifestado contra o início das negociações com Atenas visando um terceiro resgate.

Alguns deputados receiam que parte da dívida grega possa ser amortizada em prejuízo dos bolsos dos contribuintes europeus. Angela Merkel já disse que a reestruturação da dívida grega está sobre a mesa, o que pode significar a extensão dos prazos de pagamento por parte de Atenas ou a redução das taxas de juro do empréstimo.

Os deputados contestatários querem também garantias de que o Fundo Monetário Internacional (FMI) vai contribuir para este resgate. O envolvimento do FMI neste processo é “indispensável”, defendeu o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble. Porém, a organização financeira tem evitado comentar o processo até outubro, altura em que haverá uma avaliação aos progressos realizados pelos gregos ao nível das reformas exigidas pelos credores.

Esta terça-feira, o Governo grego aprovou a venda de 14 aeroportos regionais à empresa alemã Fraport AG por 1,23 mil milhões de euros. Trata-se da primeira privatização levada a cabo pelo Governo Syriza.

Angela Merkel adiou por um dia uma viagem a Itália para estar presente nas discussões internas partidárias e defender o novo programa de assistência financeiro a Atenas. A contestação no seio dos democratas-cristãos não deverá ser suficiente para inviabilizar a aprovação do terceiro resgate, já que quer sociais-democradas (SPD, o segundo maior partido da coligação) quer os Verdes votarão “sim”.

O resgate tem de ser aprovado até quinta-feira, dia previsto para Atenas receber a primeira tranche do novo empréstimo e cumprir o pagamento de 3,2 mil milhões de euros ao Banco Central Europeu.

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