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Obama avisa que operações de espiões chineses nos EUA têm de parar

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As relações entre o Presidente Barack Obama e o seu homólogo chinês Xi Jinping (que na foto surgem a brindar em Pequim em 2014) têm conhecido um ambiente de crispação

Greg Baker/Reuters

Para tentarem levar destacados fugitivos chineses a regressar, os agentes secretos vão até aos Estados Unidos onde efetuam ameaças, nomeadamente sobre membros das suas famílias

A administração de Barack Obama fez vários avisos nas últimas semanas ao Governo chinês, para que pare de enviar agentes para os Estados Unidos, em missões secretas e não autorizadas, com o objetivo de persuadir destacados fugitivos chineses a regressarem ao seu país.

“Apesar de não comentarmos casos específicos, e falando genericamente, os agentes da lei estrangeiros não estão autorizados a operar dentro dos Estados Unidos sem autorização prévia do procurador-geral”, referiu Mark Toner. O porta-voz do departamento de Estado norte-americano, reagia assim, em comunicado, no domingo, após “The New York Times” ter noticiado as recentes advertências feitas pelos Estados Unidos.

“Continuamos a enfatizar aos representantes (da República Popular da China) que é sua incumbência fornecer aos seus homólogos norte-americanos dados significativos, claros, e convincentes que permitam aos nossos agentes procederem às investigações, repatriamentos e ações judiciais sobre fugitivos”, acrescentou.

A operação surge em sequência da luta contra a corrupção na China, segundo indicaram agentes norte-americanos, que falaram ao “The New York Times” sob anonimato.

Os agentes chineses que estão nos EUA de forma não oficial, tendo muito provavelmente entrado no país como turistas ou empresários, recorrem a estratégias de forte intimidação para forçarem os fugitivos a regressar à China, entre as quais ameaças sobre os membros das suas famílias que ainda por lá se encontram.

Embora o regime de Pequim não tenha reagido à notícia, os media chineses já tinham noticiado o envio de agentes para convencer fugitivos a regressarem.

Desde 2014, segundo o Ministério de Segurança Pública chinesa, mais de 930 suspeitos foram repatriados, entre os quais 70 que regressaram voluntariamente.

Os avisos sobre este tipo de operações ocorrem após as relações entre Washington e Pequim terem ganho uma maior crispação com a descoberta do roubo de dados de ficheiros de milhões de funcionários estatais norte-americanos, num ciberataque que os Estados Unidos suspeitam ter sido efetuado pela China.