Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Número de mortos em explosões na China sobe para 114

  • 333

Um memorial recorda as vítimas, onde familiares e amigos depositam velas e rezam em conjunto

WU HONG/ EPA

Enquanto as autoridades chinesas continuam debaixo de fogo, acusadas de falta de trasparência pela forma como responderam ao acidente em Tianjin, os moradores na área afetada pelas explosões exigem ser compensados

A descoberta de dois novos cadáveres elevou para 114 o número de mortos devido às explosões na cidade chinesa de Tianjin. Até ao momento, 70 pessoas continuam desaparecidas e quase 700 ficaram feridas.

Aos números da tragédia soma-se a insatisfação com a forma como as autoridades responderam à tragédia, com a imprensa chinesa a falar, sobretudo, em falta de transparência.

Já os residentes cujas habitações foram afetadas pelo acidente juntaram-se esta segunda-feira num protesto, exigindo serem compensados. Cerca de cem pessoas reuniram-se junto ao hotel de Tianjin onde diariamente os representantes oficiais têm realizado conferências de imprensa para dar conta da evolução dos trabalhos.

Quase uma semana depois, o risco de contaminação é também uma das maiores preocupações. O facto de o armazém onde as explosões aconteceram ter depositadas mais de 700 toneladas de cianeto de sódio, numa clara violação das regras de segurança, faz temer pela contaminação da água, ainda que tenha já sido dito pelas autoridades que a situação está controlada.

Para tentar acalmar os ânimos, o primeiro-ministro Li Keqiang visitou o local este domingo, enquanto o Tribunal Supremo chinês anunciou a abertura de uma investigação para esclarecer se houve negligência no acidente.

Em simultâneo, as autoridades de Tianjin, cidade do norte da China, asseguram que as atividades portuárias voltaram à normalidade após quatro dias de suspensão, sendo que o porto recebe 40% dos veículos importados e também grandes quantidades de minerais de ferro, matéria-prima para a indústria siderúrgica nacional.

Esta segunda-feira, porém, o maior fabricante japonês de automóveis, a Toyota Motor, anunciou a suspensão temporária da sua atividade em três linhas de produção na China devido aos efeitos das explosões em Tianjin.

A paragem vai manter-se até ao dia 19 e afeta três das quatro fábricas que a empresa tem na zona. Duas delas estão a dois quilómetros do local onde ocorreu o desastre, uma zona onde as autoridades chinesas recomendam a evacuação de pessoas, enquanto a terceira fábrica, situada a 70 quilómetros, tem de suspender o funcionamento porque necessita de componentes fabricados nas duas primeiras.

Entretanto, o Presidente português, Aníbal Cavaco Silva, manifestou o seu “pesar” e “consternação” pelas explosões da semana passada. Numa mensagem enviada ao homólogo chinês, Xi Jinping, Cavaco Silva expressou “sinceras condolências” e “sentida solidariedade” às famílias das vítimas.