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“Fora Dilma”, gritaram novamente os brasileiros

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UESLEI MARCELINO

As manifestações estenderam-se a mais de 200 cidades do Brasil

Helena Bento

Jornalista

Milhares de pessoas desfilaram este domingo pelas ruas de algumas cidades do Brasil exigindo a demissão de Dilma Rousseff, Presidente do Brasil.

As manifestações, convocadas através das redes sociais por grupos de oposição ao Governo como o Movimento Brasil Livre, Revoltados Online e Vem Pra Rua, estenderam-se a mais de 200 cidades brasileiras, entre as quais São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, Recife, Porto Alegre e Belo Horizonte.

Segundo o diário brasileiro "Folha de São Paulo", que cita fontes governamentais anónimas, cerca de 200 mil pessoas participaram nos protestos. O número, que não abrange o Rio de Janeiro nem São Paulo, confirma as previsões iniciais do Palácio do Planalto, embora seja inferior ao registado nas duas anteriores manifestações também contra a gestão de Dilma Rousseff (em março e abril deste ano).

A Polícia Militar recusou-se a avançar números relativos ao número de participantes na manifestação do Rio de Janeiro. Os protestos, que começaram a partir das 10h, hora local (14h00 em Lisboa), decorreram de forma pacífica, não tendo sido registados conflitos. A BBC Brasil informou que dois repórteres da TV Globo foram expulsos pela polícia do grupo de manifestantes depois de terem tentado entrevistar algumas pessoas.

"Não aguento mais viver num país onde tenho de pagar impostos altíssimos e não obter nada em troca. Somos tratados como animais no nosso sistema de saúde, e em termos de segurança pública somos tratados apenas como estatísticas", disse Marcia Regina, de 55 anos, que participava na manifestação no Rio de Janeiro, citada pelo "The Guardian".

Enquanto isso, João Luiz Garcia, um engenheiro de 31 anos, reunia assinaturas para uma petição para forçar o congresso a debater medidas anti-corrupção. As revelações do megaescândalo de corrupção em torno da Petrobras, a recessão económica e pouco popular programa de ajuste fiscal elaborado para reequilibrar as contas públicas têm arrasado como nunca a popularidade de Dilma Rousseff.

Dados recentes mostram que apenas 7,7% dos brasileiros concordam com o seu Governo. Nem o antigo Presidente Fernando Collor de Mello, forçado a demitir-se em 1992 por causa de um escândalo de corrupção, atingiu níveis de impopularidade tão baixos.

Aécio Neves, líder do PSDB, apresentou-se em Belo Horizonte, na Praça da Liberdade, no estado de Minas Gerais, onde, segundo as estimativas da organização, concentraram-se 20 mil pessoas (10 mil, segundo a polícia). “Chega de tanta mentira, tanta corrupção e tanto desprezo ao povo brasileiro. E viva vocês”, disse o senador.

Está prevista para este domingo uma reunião entre Dilma e quatro dos seus ministros, José Eduardo Cardozo, Jacques Wagner, Aloizio Mercadante e Edinho Silva, para avaliar a repercussão dos protestos e decidir em conformidade com estes.