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O dia em que a bandeira americana volta a ser hasteada em Havana

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Depois da cerimónia da reabertura oficial da Embaixada norte-americana em Havana, o secretário de Estado John Kerry vai reunir-se em privado com dissidentes cubanos

A presença do secretário de Estado John Kerry, esta sexta-feira na capital cubana, para a cerimónia da reabertura oficial da Embaixada norte-americana, representa mais um passo para a normalização das relações entre os dois países.

É a primeira visita de um secretário de Estado norte-americano a Cuba nos últimos 70 anos. Kerry viaja acompanhado por membros do Congresso e por três “marines” que baixaram a bandeira norte-americana pela última vez do edifício de sete andares da embaixada em janeiro de 1961, onde volta agora a estar hasteada.

A reabertura das Embaixadas dos dois países fora anunciada Presidente cubano Raul Castro e pelo seu homólogo norte-americano Barack Obama e concretizara-se já a 20 de julho.

Na altura, os Estados Unidos levaram a cabo apenas, contudo, uma cerimónia privada ,que contou com a presença dos diplomatas norte-americanos em Havana e dos 300 funcionários cubanos da embaixada, guardando a cerimónia oficial de reabertura para a visita oficial do secretário de Estado que agora se concretiza.

Falando para a televisão norte-americana com emissões em espanhol Univision, Kerry manifestou antes da sua partida a expectativa de ver mudanças a terem lugar em Cuba: “Mais pessoas vão viajar. Haverá mais intercâmbios. A ligação entre mais famílias será restabelecida. E esperemos que o Governo de Cuba irá ele próprio tomar decisões que irão começar a mudar as coisas”.

Durante a curta visita que efetua esta sexta-feira a Cuba, Kerry irá reunir-se com dissidentes cubanos durante a tarde, mas estes não foram convidados para o hastear da bandeira, que será feito durante a manhã. O regime cubano considera que os dissidentes são mercenários apoiados pelos Estados Unidos.

Os entraves que ainda persistem para a normalização das relações entre os dois países

Em sequência do restabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países, Cuba reduziu o número de guardas que controlam as saídas e entradas de cubanos do país.

O Presidente Obama considera que a longa política de isolamento de Cuba não resultou. Levantou algumas das restrições para as trocas comerciais e para visitas de cidadãos norte-americanos a Cuba, mas o Congresso, que conta com uma maioria republicana, não permitiu ainda o levantamento do embargo económico.

Para além do levantamento do embargo, Cuba pretende que os Estados Unidos encerrem a prisão de Guantánamo, devolvam a sua base naval e que ponham termo às emissões de rádio e televisão para o seu território.

Por seu turno, os Estados Unidos querem que o regime de Havana efetue mudanças no sentido de assegurar o respeito dos Direitos Humanos, o regresso dos fugitivos exilados e compensações pelas propriedades de cidadãos norte-americanos em Cuba nacionalizadas com a chegada de Fidel Castro ao poder.