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Finlandeses agradados com os ares da cidade, Alemanha impõe condição para dar “sim” à Grécia

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Manifestação pró-Europa em Atenas

YANNIS BEHRAKIS / Reuters

Ministros das Finanças europeus fizeram declarações positivas à entrada do Eurogrupo que vai decidir se avança ou não o acordo com a Grécia. Mas o representante alemão, Wolfgang Schäuble, foi claro: se o FMI não participar, a Alemanha não quer nenhum acordo e irá defender apenas um empréstimo-ponte

Cátia Bruno

Cátia Bruno

Jornalista

O ambiente à chegada à reunião desta sexta-feira do Eurogrupo é bastante mais positivo do que tem sido habitual, com os vários ministros das Finanças da zona euro a espalharem sorrisos. “Sinto uma atmosfera otimista na cidade”, escreveu mesmo o representante finlandês, Alexander Stubb, na sua conta de Twitter.

O presidente do Eurogrupo, o holandês Jeroen Dijsselbloem, também se mostrou esperançado num acordo, mas alertou que a reunião deve estender-se tarde fora: “Alguns ministros deverão ter questões e críticas em alguns pontos”, declarou aos jornalistas. “Espero que no final da noite tenhamos um resultado positivo.”

Isso mesmo confirmou o ministro alemão, Wolfgang Schäuble, que, apesar de se dizer “confiante” de que um acordo será conseguido esta sexta-feira, não deixou de sublinhar a posição do Governo alemão: “Precisamos de ter um compromisso claro do Fundo Monetário Internacional (FMI). Teremos de arranjar uma maneira”, disse o ministro, que tem defendido a necessidade do Fundo se envolver técnica e financeiramente neste resgate. “É claro: se não houver um acordo hoje [com o FMI], teremos de ter um segundo empréstimo-ponte”, rematou Schäuble.

O FMI e a dívida

O problema está no facto do Fundo ter regras próprias que o impedem de se envolver em empréstimos a países cuja dívida é considerada insustentável pelo próprio FMI - o que se verifica no caso da Grécia.

Os líderes europeus comprometeram-se em analisar a questão da dívida no outuno, durante a primeira avaliação do programa - apesar de a maioria colocar de parte um corte nominal (haircut), como defende o FMI, e aceitando apenas mexidas nas maturidades e nos juros. Isso mesmo reforçaram os vários ministros à entrada para o Eurogrupo: “Se tudo correr bem, poderemos tornar [a dívida] sustentável nessa altura, e dar mais garantias se for necessário, para que o FMI possa entrar em outubro. Isso é muito importante para nós”, esclareceu Dijsselbloem.

A questão centra-se agora em dois pontos: primeiro, se a Alemanha irá aceitar um acordo sem a participação do Fundo nos primeiros meses; em segundo lugar, se o próprio FMI aceitará participar num resgate onde a renegociação da dívida não contemplará um haircut, medida que a organização considera essencial.

A Comissão Europeia fez saber, antes do início da reunião, que está confiante de que o encontro do Eurogrupo terminará com um acordo que permita aplicar imediatamente o programa acordado entre a Grécia e os credores oficiais esta semana: “um resultado positivo hoje é completamente viável”, declarou a instituição através do seu porta-voz.