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Eurogrupo reúne-se com dúvidas sobre terceiro resgate grego

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A incomodar Wolfang Schäuble (à direita), ao lado do comissário europeu Pierre Moscovici, está também a questão do fundo de privatizaçõe

STEPHANIE LECOCQ / EPA

A Alemanha ainda tem dúvidas sobre as condições que estão no Memorando de Entendimento negociado entre as autoridades gregas e as instituições. Wolfgang Schäuble deverá apresentá-las aos restantes colegas da moeda única na reunião desta tarde

Ministros das Finanças da zona euro decidem esta sexta-feira se dão luz verde ao resgate de 86 mil milhões de euros. Bruxelas pressiona mas o “sim” do Eurogrupo não está garantido. Em cima da mesa está também um novo empréstimo-ponte para que a Grécia possa pagar no dia 20 agosto ao Banco Central Europeu, caso o Eurogrupo não aprove já o Memorando de Entendimento negociado entre o governo de Tsipras e as instituições.

Os preparativos para um novo empréstimo de transição à Grécia foram feitos e a possibilidade estará ao alcance dos ministros das Finanças da zona euro, que se reúnem esta tarde em Bruxelas.

“É apenas por segurança”, disse ao Expresso fonte do Eurogrupo. A Alemanha ainda tem dúvidas sobre as condições que estão no Memorando de Entendimento que foi negociado entre as autoridades gregas e as instituições – Comissão Europeia, Banco Central Europeu (BCE), Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) e Fundo Monetário Internacional (FMI) – e o ministro alemão Wolfgang Schäuble deverá apresentá-las aos restantes colegas da moeda única.

Se o resgate de 86 mil milhões de euros não tiver já esta sexta-feira o aval político dos ministros, será preciso um plano B para que a Grécia consiga fazer o pagamento de mais de 3000 milhões de euros, agendado para dia 20 de agosto ao BCE. A solução passaria por um novo empréstimo-ponte que cobrisse esse valor, semelhante à que se encontrou no passado dia 17 de julho, quando se recorreu a 7000 milhões de euros do Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira – o fundo de resgate dos 28 países da União Europeia.

Mas a pressão de Bruxelas – em particular da Comissão Europeia – é para que o Memorando de Entendimento receba já hoje o “ok” do Eurogrupo, para que a primeira tranche - cerca de 25 mil milhões de euros – chegue a Atenas a tempo dos compromissos financeiros da próxima quinta-feira. Depois do “sim” do Eurogrupo, o terceiro resgate terá ainda de passar em alguns dos parlamentos nacionais – incluindo o Bundestag.

Num comunicado emitido na noite desta quinta-feira, a Comissão Europeia volta a dizer que as reformas incluídas no Memorando de Entendimento estabelecem a base para “uma recuperação sustentável” da economia grega, com políticas que assentam em quatro pilares: sustentabilidade orçamental, estabilidade do sector financeiro, crescimento, competitividade e investimento, e uma reestruturação da administração pública.

Para receber 86 mil milhões de euros, a Grécia terá de voltar a cortar nas pensões e concretizar a reforma do sector. O mercado de trabalho e o sector da energia também serão alvos de grandes reformas, com a liberalização deste último a ter de estar concluída em 2018. No quadro das privatizações, o governo helénico deverá somar mais de 6000 milhões de euros até 2017, bem acima dos 2500 milhões que estavam previstos. Medidas duras que estão a dividir o Syriza e a criar dificuldades internas ao primeiro-ministro Alexis Tsipras.

Mas o que está no Memorando, que foi fechado esta terça-feira com as instituições, não chega para o governo alemão, preocupado sobretudo com a questão da participação do FMI no terceiro resgate. Para já, a instituição liderada por Christine Lagarde vai continuar “intimamente envolvida” em termos técnicos. No entanto, a participação financeira só será decidida após a primeira avaliação trimestral do programa de assistência e caso os credores avancem com um “alívio de dívida, que permita à dívida grega tornar-se sustentável”, confirmou esta quinta-feira o FMI em comunicado.

A incomodar Wolfang Schäuble está também a questão do fundo de privatizações. O mecanismo proposto pelo ministro das Finanças para arrecadar 50 mil milhões com a venda de ativos gregos, que funcionaria como garantia do empréstimo, deverá avançar só no próximo ano. Por enquanto, será criada uma “task-force” para estudar o seu funcionamento. A Alemanha preferia que começasse a funcionar já nos próximos meses.

O Eurogrupo desta tarde está marcado para as 15h em Bruxelas (14h em Lisboa).

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