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Tsakalotos apela aos deputados para evitarem empréstimo-ponte

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OLIVIER HOSLET

Ministro grego das Finanças sustentou esta quinta-feira no Parlamento que é vital o procedimento de urgência para dar luz verde ao programa de resgate. Mas a Plataforma de Esquerda do Syriza promete dificultar o processo: “A luta contra o memorando começa agora”, garante a ala mais radical do partido no poder

Com cerca de uma hora de atraso, a discussão do terceiro programa de resgate arrancou esta quinta-feira no Parlamento grego. E o ambiente - tal como já era de esperar - tem-se revelado tenso.

Na sua primeira intervenção, o ministro das Finanças Euclid Tsakalotos apelou aos deputados para votarem a favor do programa do terceiro resgate, de forma a evitarem outro empréstimo-ponte.

“Eu preciso de ir para a reunião do Eurogrupo na sexta-feira com o plano aprovado, para que comecem os procedimentos no Parlamento Europeu sobre o acordo”, afirmou Tsakalotos, citado pelo jornal “Protothema”, defendendo o procedimento de urgência para que seja dada luz verde ao programa.

O governante acusou ainda a líder do Parlamento helénico, Zoe Konstantopoulou - que votou por duas vezes contra o acordo - de estar a “atrasar intencionalmente” o processo. Em resposta, Zoe Konstantopoulou criticou o Executivo de Alexis Tsipras, classificando-o de “regime autoritário”.

Na interpelação do líder parlamentar do Syriza, Nikos Filis lamentou por sua vez que a presidente do Parlamento esteja a criar “grandes problemas institucionais”.

Também a porta-voz do governo Olga Gerovasili realçou, ainda antes da sessão parlamentar, que a posição de Konstantopoulou está a criar obstáculos. “A Sra. Konstantopoulou tem as suas ideias. Há duas visões diferentes que estão a criar desarmonia.”

Eleições antecipadas?

Sobre a possibilidade de a Grécia avançar para eleições antecipadas caso o terceiro resgate não passe na votação parlamentar, a porta-voz do Executivo desvaloriza para já esse cenário. “É possível que no futuro possa haver procedimentos para dar um novo mandato... Isso vai acontecer quando existir uma avaliação de que deve haver novas eleições”, disse Gerovasili.

No entanto, essa hipótese havia sido admitida várias vezes por Tsipras, caso aumentasse a oposição ao acordo dentro do Syriza. “Menos deputados [do Syzira] que não apoiam o acordo, isso significa que o governo não pode durar mais. Seremos forçados a resolver este discórdia através de procedimentos rápidos”, afirmou na quinta-feira Tsipras, durante uma entrevista televisiva.

“A luta contra o memorando começa agora”

Entretanto, o ex-ministro da Energia Panayiotis Lafazanis anunciou que a Plataforma de Esquerda do Syriza, que lidera, irá criar um novo movimento contra o programa de resgate.

“Fundaremos um movimento unido que justificará o desejo do povo grego da democracia e da justiça social. A luta contra o memorando começa agora, pela mobilização das pessoas e em cada canto do país”, pode ler-se num documento, citado pelo “Kathimerini”, que foi assinado por 12 membros do Syriza.

O terceiro resgate à Grécia pressupõe um empréstimo de 85 mil milhões de euros durante três anos, incluindo o desembolso imediato de 10 mil milhões de euros a fim de o país poder cumprir as suas necessidades imediatas, nomeadamente o pagamento que deverá efetuar ao Banco Central Europeu na próxima quinta-feira.