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Internacional

Responsável de missão da ONU em África demite-se devido a violência e abusos sexuais

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A resignação do chefe da missão de manutenção de paz da ONU na República Centro-Africana ocorre após a Amnistia Internacional ter denunciado a violação de uma menina de 12 anos e o assassínio de um rapaz e do seu pai numa operação que teve lugar este mês na capital do país

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, anunciou ter aceitado o pedido de demissão do chefe da missão de manutenção de paz da ONU na República Centro-Africana, o general senegalês Babacar Gaye, que fora forçado a resignar depois de novas denúncias de abusos sexuais e excessivo uso da força por parte de soldados da organização.

A Amnistia Internacional acusara elementos da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a República Centro-Africana (MMINURCA), chefiada por Babacar Gaye, de terem violado uma menina de 12 anos e matado um rapaz e o seu pai durante uma operação efetuada este mês em Bangui, a capital do país.

Ban Ki-moon, que solicitara ao seu enviado especial para que se demitisse, afirma que o general desempenhou as suas funções de modo “honroso” durante muitos anos e quis “dar um forte exemplo” com o seu afastamento.

As denúncias de abusos por parte de soldados da ONU não são novas. Desde o início da MMINURCA, em abril de 2014, a missão já foi alvo de 57 denúncias de abusos, 11 das quais de carácter sexual, que estão a ser investigadas.

Acontece que as Nações Unidas não podem punir os soldados destas missões e, por seu lado, diversas organizações de Direitos Humanos acusam os países envolvidos nessas operações militares de raramente tomarem medidas, ajudando assim à criação de uma atmosfera de impunidade em redor destes episódios.

O secretário-geral da ONU diz agora que irá tomar medidas adequadas para lidar com o problema. Medidas que irão passar por ações de formação e treino para prevenir que esses crimes e outros possam repetir-se, mas também para que, caso ocorram, seja lançada de imediato uma profunda investigação. “A responsabilidade final recai sobre os governos dos países que envia as suas tropas para as missões internacionais pessoas”, concluiu Ban Ki-moon.