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Parlamento de Atenas decide sob ameaça de eleições antecipadas

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Euclid Tsakalotos e Alexis Tsipras ainda precisam de fazer passar no Parlamento de Atenas o acordo obtido com os credores

YIANNIS KOURTOGLOU / Reuters

Caso se verifique um maior número de deputados do Syriza a opôr-se ao programa de resgate na votação agendada para esta noite, o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras poderá convocar eleições para setembro

É mais um dia decisivo para Atenas. O Parlamento grego reúne-se esta quinta-feira, numa sessão extraordinária, para discutir e votar o programa do terceiro resgate. É quase certo que o documento de 400 páginas terá luz verde na câmara, com os votos a favor da oposição.

A maior dúvida reside no facto de Alexis Tsipras poder contar com mais divergências dentro do seu próprio partido, depois de 39 deputados do Syriza não terem votado a favor do acordo alcançado com os credores e de 36 deputados terem votado contra ou optado pela abstenção durante a votação do segundo pacote de reformas.

Caso se verifique um maior número de deputados do Syriza a opôr-se ao programa de resgate, o primeiro ministro grego poderá mesmo convocar eleições para setembro, tal como já tinha alertado na última sessão parlamentar.

Novo partido de esquerda radical?

Por seu turno, a ala mais radical do partido, a Plataforma de Esquerda do Syriza, liderada pelo ex-ministro da Energia Panayotis Lafazanis, poderá estar a prestes a anunciar uma nova formação política, avança o jornal “Kathimerini”.

O antigo vice-ministro da Defesa Costas Isichos já alertou que a votação desta quinta-feira poderá levar a um “divórcio imediato” e “definitivo” no seio do Syriza, após as tensões internas que se verificam desde o referendo que deu vitória ao 'Não' contra mais medidas de austeridade.

Tsipras vs. Varoufakis, confiança vs. descrédito

Depois do acordo de princípio alcançado esta terça-feira, o primeiro-ministro grego disse no dia seguinte estar “otimista” quanto à conclusão do acordo que abrirá portas ao desembolso de 85 mil milhões de euros previsto no terceiro resgate.

“Iremos provar que estavam errados aqueles que duvidavam de nós. Vamos desiludir as Cassandras [figura mitológica grega que simboliza os portadores de más notícias] e garantir êxito na reconstrução do país”, declarou Alexis Tsipras, citado pela Reuters.

Em total oposição surge o ex-ministro das Finanças e membro do Syriza Yanis Varoufakis, que voltou a defender, esta quarta-feira, em entrevista à BBC, que o programa do terceiro resgate não vai resultar. “O [atual] ministro grego das Finanças já disse no passado mais ou menos o mesmo.O ministro alemão das Finanças vai ao Bundestag e confessa que o acordo não vai funcionar”, frisa o ex-governante, lamentando que o FMI alerte para a necessidade de um alívio substancial da dívida e todos os outros credores queiram mesmo assim avançar já com o resgate.

“Pode perguntar-se a qualquer pessoa que conheça as finanças gregas, que dirão que este acordo não vai resultar”, conclui Varoufakis.

Pressões de Berlim e dúvidas da Finlândia

O plano do terceiro resgate terá ainda que ser aprovado pelo Eurogrupo - que se deverá reunir na sexta-feira - e pelos parlamentos nacionais. Apesar das dúvidas de Berlim - Merkel deixou claro a Tsipras que preferia um empréstimo-ponte até algumas questões estarem resolvidas relativamente ao resgate: nomedamente os atrasos nas reformas acordadas, a sustentabilidade de dívida e o papel do FMI no acordo,- é manifestado nesta altura algum otimismo contido do lado alemão.

“Estamos a caminhar na direção certa a um acordo. O governo grego tem tido uma postura construtiva e centrada nos resultados nas suas discussões com a troika. Não é possível contudo dizer se o Bundestag está pronto para aprovar o plano”, disse Steffen Seibert, porta-voz da chanceler alemã.

Neste sentido, o presidente do Parlamento europeu Martin Shulz deverá fazer um apelo aos deputados alemães para votarem a favor do programa de resgate.

Há outros estados-membros que se mostram mais cautelosos, como é o caso da Finlândia. “Continua a haver trabalho para fazer com detalhe. Falar em acordo ainda é pramaturo”, afirmou o primeiro-ministro finlandês, Alexander Stubb.

Caso o programa do terceiro resgate não seja aprovado, será necessário um novo empréstimo-ponte para a Grécia poder pagar cerca de 3,2 mil milhões ao BCE no próximo dia 20 de agosto.