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Tsipras “otimista” quanto à conclusão do programa, apesar dos “obstáculos”

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FOTO CHRISTIAN HARTMANN/REUTERS

Primeiro-ministro grego diz acreditar no fecho definitivo do acordo sobre o terceiro resgate. Alemanha e Bruxelas mantêm, porém, um otimismo mais cauteloso

Grécia. Apesar das dúvidas quanto à participação do FMI e da pressão de Berlim, Alexis Tsipras mostrou-se esta quarta-feira confiante na conclusão do novo programa de resgate.

“Embora alguns estejam a tentar colocar obstáculos no nosso caminho, estou otimista e acredito que conseguiremos o acordo, e o empréstimo do Mecanismo Europeu de Estabilidade, que irá pôr fim à incerteza económica. Uma negociação longa, difícil e penosa está a chegar ao fim”, afirmou o chefe do governo grego citado pela Bloomberg, durante uma visita Ministério das Infraestruturas.

Tsipras realçou ainda que o acordo irá colocar um “ponto final na incerteza económica”, em jeito de apelo aos investidores, e que incluirá medidas contra a corrupção e a evasão fiscal - dois pontos que fizeram parte da campanha do Syriza.

Estas foram as primeiras declarações do governante grego, depois da troika e do executivo helénico terem alcançado um acordo de princípio na terça-feira.

Do lado alemão, apesar das condicionantes - segundo a imprensa local, a Alemanha está a avaliar a hipótese da União Europeia prestar garantias à instituição de Christine Lagarde para poder entrar no terceiro empréstimo, mas sem um alívio significativo da dívida - , o porta-voz do Executivo também demonstra otimismo, embora cauteloso.

“Estamos a caminhar na direção certa a um acordo. O governo grego tem tido uma postura construtiva e centrada nos resultados nas suas discussões com a troika”, disse Steffen Seibert, porta-voz da chanceler alemã.

O responsável observou que as discussões recentes decorreram num clima saudável, o que não se verificou nos últimos meses.

Na mesma linha, Bruxelas também elogiou o comportamento da delegação helénica nestas últimas negociações, salientando o papel chave do ministro Euclid Tsakalotos, que rompeu com o ambiente de tensão causado por Varoufakis, segundo os responsáveis europeus.“Houve uma mudança radical nas negociações com as autoridades gregas, nas últimas semanas. O novo ministro das Finanças grego tem uma atitude absolutamente diferente nas negociações do que a anterior. As negociações foram muito construtivas”, disseram à Reuters fontes europeias.

Entretanto, o parlamento grego deverá votar na quinta-feira à noite o acordo que permitirá o desembolso de cerca de 85 mil milhões de euros durante três anos. A proposta terá que obter luz verde do Eurogrupo, que se reúne na próxima sexta-feira, além da aprovação nos respetivos parlamentos dos países membros.