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Rússia e NATO. “Jogos de guerra” potenciam conflito real

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Em junho, um exercício militar da NATO movimentou 15.000 efetivos, de 22 países

Scott Barbour/ Getty Images

É preciso que ambas as forças comuniquem mais e sejam mais transparentes em relação às movimentações militares que estão a promover, apela um relatório da European Leadership Network. Cada exercício está a ser visto como “uma provocação”

A intensificação dos exercícios militares por parte da Rússia e da NATO, justificados pela necessidade de se prepararem para um eventual conflito, está a tornar mais provável o confronto entre as duas forças, alerta um relatório da European Leadership Network (ELN).

“Cada exercício é encarado como uma provocação pelo outro lado e alimenta uma dinâmica de desconfiança e de imprevisibilidade”, afirma Ian Kearns, presidente da ELN, organização que apela a uma maior comunicação entre as partes.

Mais transparência no que às suas atividades militares diz respeito e colocar um travão na escalada destes autênticos jogos de guerra são outros dois conselhos, a que se junta a recomendação para que Moscovo e a NATO promovam um tratado que limite o tipo de armamento permitido ao longo das suas fronteiras.

O relatório agora divulgado, com o nome "Preparando-se para o pior: estão os exercícios militares da Rússia e da NATO a tornar mais provável a guerra na Europa?", analisa dois exercícios recentes, envolvendo 80.000 militares russos, a partir de bases em todo o país, e uma outra - ocorrida em junho - e que movimentou 15.000 efetivos de 22 países, promovida pela NATO no ar, terra e mar.

Por mais que os respetivos porta-vozes sustentem que "essas operações são direcionadas contra adversários hipotéticos, a natureza e a escala desses exercícios indicam o contrário", sublinha o relatório: "a Rússia está a prepara-se para um conflito com a NATO, e a NATO está a preparar-se para um possível confronto com a Rússia".

Já em novembro do ano passado, outro relatório da mesma organização chamava a atenção para a crescente tensão entre a NATO e Moscovo. Na altura, os dados recolhidos concluíam que o conflito na Ucrânia estava a potenciar o desentendimento entre o Ocidente e a Rússia, somando-se já 40 incidentes "perigosos ou sensíveis", que poderiam apressar o estalar de um conflito.

  • Tensão entre Rússia e Ocidente em nível alarmante

    Entre violações russas do espaço aéreo, voos não sinalizados e encontros militares demasiado próximos, o relatório "Dangerous Brinkmanship" soma 40 incidentes graves ou "sensíveis" em oito meses. Sinais de conflito são preocupantes, conclui o documento.