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EUA. Mais de mil pessoas foram mortas pela polícia no último ano

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JEWEL SAMAD/ GETTY IMAGES

Em média, três norte-americanos perderam a vida por dia devido à ação das autoridades. Especialistas defendem uma ação mais preventiva e menos violenta, além de uma melhor supervisão dos agentes

Pelo menos 1089 pessoas morreram vítimas da violência policial no último ano, nos EUA. Em média, três norte-americanos perderam a vida por dia, devido à ação das autoridades, segundo os dados do "site" Fatal Encounter, citado pelo “El Mundo”.

No total, 403 vítimas eram brancas, 243 afroamericanas, 152 latinas e 264 de raça desconhecida.

Os dados foram recolhidos desde 9 de agosto de 2014, quando Michael Brown, um jovem negro, foi morto a tiro por um polícia em Ferguson, que acabou por não ser acusado. O agente invocou que alvejou o jovem em legítima defesa.

À semelhança deste registaram-se outros 458 “homicídios justificados” com arma de fogo no ano anterior, refere o FBI.

Segundo o jornal “The Washington Post”, desde o início do ano, pelo menos 24 cidadãos negros desarmados foram mortos pelas autoridades, nos EUA. No total, registaram-se 60 mortos, ou seja, nos primeiros sete meses do ano quase metade das vítimas das autoridades foram cidadãos norte-americanos.

Não admira, portanto, que os EUA se debatam nesta altura com as questões da discrimação racial e da violência policial. Ainda esta segunda-feira, foi declarado o estado de emergência em Ferguson, no estado do Missouri, depois de uma noite que começou com homenagens pacíficas a Michael Brown, mas que culminou em episódios de violência.

Um dos aspetos que mais potencia a violência nos EUA e que resulta em respostas às vezes inadequadas por parte das autoridades é o elevado número de armas no país. Calcula-se que 310 milhões de armas estejam nas mãos de civis.

Inquéritos a polícias são insuficientes

O Departamento de Justiça norte-americano apelou às esquadras da polícia que respondam a inquéritos sobre o uso de força, de forma a perceber se existe algum padrão. No entanto, sendo esses inquéritos voluntários, as conclusões são pouco claras e mesmo insuficientes, refere o “New York Times”.

Ainda assim, a análise ao questionário revelou, por exemplo, que na cidade de Seattle, num em cada cinco episódios de atuação policial o uso da força foi excessivo, enquanto em Albuquerque a maioria dos tiroteios foram injustificados entre 2009 e 2012.

Além da necessidade de um maior controlo de armas, outro desafio da Administração Obama é a aposta na formação dos polícias, nomeadamente na sua relação com as minorias. Tão ou mais importante é garantir uma maior supervisão da ação policial.

Ação mais preventiva e menos violenta

“É uma vergonha nacional. Neste momento, tudo o que se sabe é o que é divulgado no Youtube”, lamentou Geoffrey P. Alpert, professor de Criminologia da Universidade da Carolina do Sul, citado pelo “New York Times”.

Uma ação mais próxima da população, menos violenta e mais preventiva por parte das autoridades é o que defendeu uma comissão de especialistas norte-americanos. Segundo os resultados de um inquérito encomendado por Obama a uma comissão de peritos - que foi solicitado em dezembro após o caso de Ferguson e cujas conclusões foram conhecidas em março -, a supervisão dos agentes também será essencial para melhorar a confiança e diminuir as vítimas da ação policial.