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Alemanha quer que os europeus sofram as perdas em vez do FMI caso a Grécia não pague

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YANNIS BEHRAKIS / Reuters

Imprensa alemã explica porquê: o FMI só entra no terceiro resgate se houver reestruturação da dívida grega, mas o governo de Merkel quer afastar essa exigência. Para isso, quer salvaguardar o FMI de eventuais perdas, mas serão os europeus a pagar caso corra mal

Cátia Bruno

Cátia Bruno

Jornalista

A Alemanha está a considerar a possibilidade de a União Europeia poder prestar garantias ao Fundo Monetário Internacional (FMI), a fim de este poder participar no terceiro empréstimo à Grécia. A notícia é avançada pelo jornal alemão “Die Zeit” esta quarta-feira.

Apesar de não citar nenhuma fonte, o jornal garante que o objetivo da medida seria garantir que, “no caso de a Grécia ficar sem dinheiro, os europeus entrassem e o FMI não sofresse perdas. Em troca, o Fundo já não exigiria um alívio significativo da dívida”, escreve o “Die Zeit”, citado pela agência Reuters.

O governo alemão tem insistido na necessidade de o FMI participar neste terceiro resgate, mas não vê com bons olhos a posição do Fundo, que defende a reestruturação da dívida grega. A participação do organismo no empréstimo de 85 mil milhões está ainda em dúvida, já que as regras do FMI ditam que este não pode participar num resgate cuja dívida do país seja considerada insustentável.

Nos últimos meses, o Fundo liderado por Christine Lagarde tem deixado claro que considera a dívida da Grécia impagável nas condições atuais, defendendo um corte nominal no valor da dívida - posição completamente rejeitada por países como a Alemanha, a Finlândia ou a Eslováquia.

Além da participação ou não do FMI, o acordo entre a Grécia e os credores oficiais necessita ainda da aprovação nos vários Parlamentos nacionais - e do aval político do Eurogrupo, que se reúne esta sexta-feira.

O Parlamento grego deverá votar a proposta esta quinta-feira ou até na madrugada de sexta-feira, avança o “Kathimerini”. O jornal grego considera que Zoe Konstantinopoulou, presidente do Parlamento, “parece estar a atrasar o processo” ao convocar uma reunião para a manhã desta quarta-feira, a fim de decidir o calendário, atrasando a revisão da proposta ao nível dos comités técnicos e, consequentemente, a votação no plenário.

Recorde-se que Konstantinopoulou é membro do Syriza, mas votou contra as últimas medidas de austeridade propostas no Parlamento.