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Um princípio de acordo, ceticismo e eleições. Outro dia longo para os gregos

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ALEXANDROS VLACHOS / REUTERS

A maratona de negociações de segunda para terça-feira resultou num acordo de princípio sobre o terceiro resgate financeiro. O ministro da Saúde grego não vira costas a Tsipras mas face à dureza das medidas diz que talvez não fosse mal pensado antecipar eleições.

Outro dia longo para a Grécia. A manhã começou com boas notícias, tinha-se chegado a um princípio de acordo com os credores para o terceiro resgate financeiro, mas ao longo do dia Merkel e não só foram mostrando-se céticos. E depois há o ministro da Saúde grego, Panagiotis Kouroublis, que diz que talvez não fosse mal pensado antecipar eleições.

Kouroublis, em entrevista a uma rádio local e citado pela Reuters, admite que se trata de um memorando “muito difícil” e que o primeiro ministro Alexis Tsipras, depois deste acordo, “deveria convocar eleições, para que a população grega possa votar se quer aprovar o programa ou se quer outra coisa”.

O ministro da Saúde não vira as costas a Tsipras, mas diz-se consciente da dureza que o acordo representa. "É um acordo muito difícil. Ou a esquerda se escapa ou aceita a grande responsabilidade e provar à sociedade que é capaz", disse Kouroublis.

Entretanto, segundo o jornal "Protothema" há muitos rumores de que as eleições possam mesmo acontecer: 13 ou 20 de setembro são as datas apontadas.

O acordo de Atenas e Bruxelas parece cada vez mais perto de se tornar uma realidade depois de a maratona de negociações na última noite ter resultado num acordo de princípio sobre o terceiro resgate financeiro. Mas a corrida ainda vai a meio. Parlamento grego e Eurogrupo também têm que aprovar.

LOUISA GOULIAMAKI/ Getty images

Parlamento vota na quinta-feira

Alexis Tsipras não quis perder tempo e, esta segunda-feira, já convocou o Parlamento para tratar do assunto. Segundo a agência Reuters, os deputados gregos vão receber o mais rapidamente possível uma cópia do rascunho do princípio de acordo para poderem analisar. O parlamento reúne-se esta quarta-feira para discutir e na quinta-feira vão a votos.

"A natureza crucial da situação requer uma convocação imediata do Parlamento para proceder à aprovação do acordo e que permite o desembolso da primeira parcela", disse Tsipras numa carta publicada pelo governo de Atenas, citada pela Reuters.

O parlamento grego tem de ratificar o acordo a tempo da reunião do Eurogrupo, que já está marcada para esta sexta-feira, dia 14. Só assim será possível que a primeira tranche, que corresponde a 10 mil milhões de euros, seja desbloqueada a tempo da Grécia conseguir pagar ao Banco Central Europeu (BCE) a 20 de agosto.

Foi o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, o primeiro a dizer aos jornalistas a data do novo encontro do Eurogrupo. Rajoy espera que "de uma vez por todas a aposta ajude as coisas a regressarem ao normal".

Mas como até sexta-feira ainda falta algum tempo, alguns ministros das Finanças europeus conversaram, ao longo desta segunda-feira, por videoconferência. Segundo escreve o jornal grego “Protothema” parte dos homólogos de Euclid Tsakalotos já tem noção do que consta no acordo e não deverão opôr-se à sua aprovação.

O ceticismo alemão

Tudo parece que começa a encaminhar-se, mas nem todos estão tão positivos. Da Alemanha há algum ceticismo. Primeiro foi a chanceler alemão Angela Merkel que, numa conversa telefónica com Alexis Tsipras, terá voltado a insistir na sua preferência de ter um empréstimo-ponte em vez de um acordo completo já. “Porque estás a apressar-te?”, terá Merkel perguntado a Tsipras.

Já durante a tarde desta terça-feira, foi o ministro-adjunto das Finanças alemão, Jens Spahn, que garantiu que o acordo iria ser meticulosamente analisado pelos germânicos. Uma mensagem que soou a um pedido de cautela, relembrando que é "mais importante a qualidade do que a velocidade".

"Estamos a falar de um programa para três anos e tem de ser meticulosamente analisado. Tem de ser convincente de que não é apenas por causa do dia 20 de agosto [dia de pagamento ao Banco Central Europeu]. Não é apenas sobre poupar, mas é acima de tudo como a Grécia irá ganhar dinheiro nos próximos anos, por outras palavras, qual será o modelo de negócio", disse Jens Spahn à televisão alemã ARD .

O número dois de Wolfgang Schauble, acrescentou ainda que este acordo é decisivo "para os próximos anos" e que não pode "durar apenas alguns meses", e metas como o "crescimento, atratividade as condições fiáveis mais do que investimentos tem de ser objetivos a longo prazo".

10 mil milhões serão desbloqueados imediatamente

O acordo prevê que a Grécia receba 85 milhões de euros em três anos, sendo que 10 mil milhões serão desbloqueados imediatamente - para ser capaz de pagar ao BCE 3,2 mil milhões de euros, que vencem a 20 de agosto. Em compensação Atenas tem muito que fazer.

Segundo o jornal "Protothema", o novo acordo implica 35 medidas imediatas e 23 adicionais a partir de outubro. Entre as quais atingir um défice de 0,25% para 2015 e excedentes de 0,5% para 2016, a que se seguirão 1,75% em 2017 e 3,5% em 2018 e um acumulado de saldos primários orçamentais de 5,5% do PIB.

  • Alemanha vai deixar passar o acordo esta sexta-feira?

    Atenas consegue reduzir em 4 pontos percentuais exigências dos credores oficiais nos saldos primários orçamentais até 2018, mas tem de aplicar mais de meia centena de medidas durante este segundo semestre que pode ser politicamente “quente” na Grécia e nas discussões entre os próprios credores oficiais a propósito do “alívio” da dívida grega

  • “Porque estás a apressar-te, Tsipras?”

    Gregos e credores parecem ter chegado a acordo sobre novo empréstimo (€85 mil milhões durante três anos), que deverá ser votado no Parlamento grego na quinta-feira. Mas nem tudo é assim tão simples: há “detalhes” por acertar e a Alemanha preferia um empréstimo-ponte. Daí a pergunta do título, que a imprensa grega conta ter sido feita por Merkel a Tsipras

  • Bruxelas confirma acordo entre Grécia e credores

    Fontes da Comissão Europeia reforçam o entendimento que o ministro das Finanças grego Euclides Tsakalotos já tinha anunciado em declarações anteriores, apesar de admitir que ainda faltava acertar alguns “pequenos detalhes”.