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Shakespeare apanhado com canábis?

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Descoberta de fragmentos de cachimbos no jardim do dramaturgo levanta a suspeita de que Shakespeare estaria sob influência de canábis na altura em que escreveu alguns dos clássicos da literatura mundial

E se "Romeu e Julieta" tivesse sido escrito sob influência de substâncias ilícitas? Ou se "Hamlet" fosse resultado de um dia mais alucinado? Na realidade, isso pode ter acontecido. Segundo um grupo de cientistas sul-africanos, foram descobertos cachimbos com resíduos de canábis no jardim de William Shakespeare. Já lá vão 400 anos, mas nem assim o dramaturgo se livra de uma análise toxicológica.

Foi na terra natal de Shakespeare que 24 fragmentos de cachimbo do século XVII foram encontrados. Alguns dos quais vieram diretamente do jardim da casa do dramaturgo em Stratford-Upon-Avon, em Warwickshire, Reino Unido. Segundo o jornal britânico "The Telegraph", as amostras foram levadas para Pretória, África do Sul, onde foram submetidas a análises sofisticadas e não destrutivas.

Oito fragmentos, dos quais quatro foram retirados do jardim de Shakespeare, continham vestígios de canábis. Foi ainda concluído que havia nicotina em pelo menos um dos cachimbos e outros dois mostravam resíduos de cocaína. Estes últimos, no entanto, não estavam no jardim do dramaturgo.

Francis Thackeray e Nicholas van der Merwe, da Universidade da Cidade do Cabo, e o inspetor Tommy van der Merwe são os responsáveis pela investigação e admitem a possibilidade de Shakespeare estar consciente dos efeitos delirantes que a canábis poderia causar. Aliás, chegam a justificar a teoria com a própria obra do escrito. Por exemplo, num dos seus sonetos - o soneto 76 - o verso "and keep invention in a noted weed" pode significar, segundo os autores, que Shakespeare estaria disposto a usar erva ("weed") para a escrita criativa ("invention").

Entre a comunidade de fãs shakespeariana há muito que se fala na possibilidade do dramaturgo consumir drogas, uma vez que nas obras existem algumas referências ao consumo. No entanto, escreve a revista "Time", nunca existiram provas concretas de que Shakespeare usasse drogas. Agora, esta nova descoberta pode encorajar a reconsiderar essa situação.

"As análises literárias e a ciência química podem ser mutualmente benéficas, unindo as artes e a ciência num esforço para compreender melhor Shakespeare e os seus contemporâneos", lê-se no novo estudo, citado pela "Time".