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O que a Alemanha ganhou com a crise grega: €100 mil milhões

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WOLFGANG KUMM / EPA

“Sempre que houve más notícias sobre a Grécia, as taxas de juro sobre as obrigações do governo alemão caíram. Quando as notícias eram boas, as taxas subiram”

“Mesmo que a Grécia não devolva nem um cêntimo, a bolsa pública alemã beneficiou financeiramente da crise.” Segundo um estudo divulgado esta segunda-feira pelo Instituto de Investigação Económica Leibniz, a Alemanha já ganhou 100 mil milhões de euros.

A instabilidade que a crise provocou na Grécia deixou os investidores assustados, que procuram mercados seguros e estáveis para investir. Na Europa, a solução mais segura e estável era o mercado alemão, que se tornou (ainda) mais atrativo para aqueles que querem investir. Foi precisamente derivado desta “corrida” para o mercado germânico que o país conseguiu os 100 mil milhões de euros em poupança garantida, nos últimos cinco anos, através de baixas taxas de juro sobre as suas obrigações.

“Sempre que houve más notícias sobre a Grécia, as taxas de juro sobre as obrigações do governo alemão caíram. Quando as notícias eram boas, as taxas subiram”, avança o estudo. Por exemplo, eventos como a eleição do Syriza - a 25 de janeiro - resultaram numa descida das taxas de juro sobre as obrigações do governo alemão. Por outro lado, notícias como o “sim” do Parlamento grego aos pacotes de medidas de austeridade impostos por Bruxelas - aprovados a 15 e a 22 de julho - culminaram numa subida das taxas.

O estudo conclui então que a economia alemã “beneficiou desproporcionalmente” dessa situação e as poupanças “excedem os custos da crise, mesmo se a Grécia não pagasse todas as suas dívidas”.

A Alemanha exigiu à Grécia disciplina fiscal e duras reformas económicas em troca da ajuda de credores internacionais. O ministro das finanças alemão, Wolfgang Schäuble, opôs-se a uma reestruturação da dívida grega, apontando para o orçamento equilibrado do seu governo.

O instituto, porém, defende que o equilíbrio orçamental alemão só foi possível graças às poupanças em taxas de juro por causa da crise de dívida grega. Os estimados 100 mil milhões de euros que a Alemanha poupou desde 2010 constituíram cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Segundo o mesmo documento, em pacotes de resgate a Alemanha investiu - maioritariamente através do Mecanismo Europeu de Estabilidade, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional - não mais de 90 mil milhões de euros. Mesmo assim, caso a Grécia não pague nada, a Alemanha já “beneficiou claramente com a crise”.

Mas a Alemanha não foi a única. Outros países como os Estados Unidos, a França e a Holanda também beneficiaram, mas “a um nível muito mais reduzido”.