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O estranho assassinato de Jiménez

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Jiménez fundou em 2013 um grupo de autodefesa que se encarregava da segurança de muitas localidades à mercê do crime organizado

HENRY ROMERO/ REUTERS

O mexicano Miguel Ángel Jiménez, cuja ação levou à descoberta de quase 130 cadávares anónimos, foi assassinado quando conduzia o seu táxi, perto da localidade de onde era natural

Morreu, assassinado, um dos líderes comunitários mais estimados no México, conhecido por criticar as autoridades e ter dinamizado uma busca paralela pelos 43 estudantes mexicanos desaparecidos em Iguala no final do ano passado. Miguel Ángel Jiménez, de 45 anos, foi alvejado enquanto conduzia o seu táxi próximo da localidade de onde era natural, Xaltianguis, a 50 quilómetros de Acapulco.

Graças à ação de Jiménez, que em 2013 fundou e coordenava um grupo de autodefesa conhecido como União dos Povos e Organizações do Estado de Guerrero (UPOEG), muitos territórios à mercê das leis ditadas pelo crime organizado passaram a contar com os elementos desta associação para garantir a segurança local e a ordem pública.

Dias depois de terem desaparecido os estudantes, Miguel Ángel Jiménez reuniu cerca de meia centena de voluntários e acamparam no centro da cidade de Iguala. Munidos de ferramentas várias, percorreram as cercanias em busca dos corpos. Nunca os descobriram, mas graças às buscas efetuadas regularmente, perto de 130 cadáveres, anónimos, foram descobertos.

As muitas pessoas com familiares desaparecidos ou assassinados ganharam coragem para denunciar os seus casos e outras encontrarem em Jiménez o apoio para não desistir de encontrar explicações. Elogiavam-lhe a coragem, a perseverança e o bom humor.

Segundo o jornal “Reforma”, Jiménez fora ameaçado de morte depois de o UPOEG ter sofrido uma cisão. O ativista acusava a nova fação de estar sob a alçada dos narcotraficantes, o que lhe pode ter estado na origem do crime, admitem os familiares.