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Crianças cegas criam obras de arte em braile

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Na Índia, uma voluntária ensinou um grupo de crianças cegas a desenhar rostos em braile. Os quadros tornaram-se um sucesso e vão ser exibidos nos EUA e na Austrália

Quadros feitos em braile não é propriamente algo que se veja todos os dias. E se forem rostos desenhados em braile por crianças cegas? Mais incomum ainda. Mas foi o que aconteceu numa escola indiana. Um grupo de raparigas começou a fazer desenhos em braile - fizeram furor e com esta brincadeira, que acabou por se tornar séria, as alunas já conseguiram angariar perto de três mil euros.

A responsável por tudo isto foi Saloni Patil. Tem 19 anos, estuda engenharia e há três anos que faz voluntariado numa escola feminina para cegos em Pune, na Índia. Começou por ajudar as alunas nos estudos e depois começou a ler-lhes histórias.

Com o passar do tempo, Saloni Patil passou a transcrever os livros para braile para que as meninas pudessem ler sozinhas. Daí até aos desenhos foi um pequeno passo.

Se o braile permite que os invisuais leiam, porque não permitir-lhes desenhar? Há cerca de uma ano, com os kits de braile, colas, purpurinas e brilhantes, Solani ensinou as crianças a desenhar. “Depois de fazerem o rascunho, eu faço o trabalho para dar [aos quadros] o aspeto final", explicou Patil, citada pelo Buzzfeed India.

Ao mesmo tempo que as meninas aprendiam a desenhar na escola, o grupo de comediantes All India Bakchod (IAB) via a fama e o sucesso a crescer. Foi então que Solani Patil desafiou as alunas a desenharem os rostos destes comediantes. Bastou isso para que o trabalho das jovens fosse reconhecido em toda a Índia. As encomendas começaram a chover.

“Temos feito desenhos em braile há cerca de um ano, mas fazer os rostos dos AIB deu-nos nome e dinheiro. Começamos a receber mais ofertas e encomendas nos últimos 2-3 meses", conta Patil, citada pelo Buzzfeed India.

Solani Patil e as crianças já conseguiram juntar perto de três mil euros com o seu trabalho. O dinheiro reverteu praticamente na íntegra para as crianças. O próximo passo são as exposições. Graças aos familiares que a voluntária tem espalhados pelo o mundo, os quadros vão ser expostos nos EUA e na Austrália.