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Um quarto blogger foi morto à catanada no Bangladesh

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Niloy Neel, ou Chakrabarti, escrevia sob diversos pseudónimos. Isso não o impediu de ser localizado e atacado na sua própria casa

Luís M. Faria

Jornalista

Mais um blogger foi morto à catanada no Bangladesh. Assinava Niloy Neel e, tal como os anteriores assassinados, defendia o secularismo. Isso fez dele um alvo para os extremistas religiosos. O seu nome seria um de 84 numa lista de pessoas marcadas para abater. É o quarto caso do mesmo tipo num ano, com a particularidade de ter acontecido na própria residência da vítima, e não num lugar público.

Neel, que ainda não tinha trinta anos, utilizava vários pseudónimos, mas nem por isso deixou de ser localizado. Cinco ou três homens bateram-lhe dizendo que estavam à procura de uma casa para alugar. Entraram no seu apartamento e atacaram-no selvaticamente na presença de uma amiga, deixando-o mutilado ao ponto de ficar irreconhecível, segundo a polícia.

Nos vários blogs em que escrevia, Neel - o seu nome real era Niloy Chakrabarti - não poupava nem o Islão nem o hinduísmo, o budismo ou o cristianismo. Assumindo-se como ateu, combatia o poder da religião sobre as pessoas. Já tinha sido ameaçado, e agora tornou-se a última vitima de uma série onde já constam Avijit Roy, Ananta Bijoy Das e Washiqur Rahman.

O Bangladesh é um país oficialmente secular, mas 90% da população é muçulmana, havendo uma ideia de que as autoridades não fazem muito para apanhar ou castigar os radicais violentos. Nem a proibição de um grupo extremista após um dos recentes assassinatos chegou para alterar essa percepção.