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Primeiro debate com candidatos republicanos. Ou um Donald Trump “supershow”

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Da esquerda para a direita, os candidatos Ben Carson, Scott Walker, Donald Trump e Jeb Bush, num dos momentos finais do debate

BRIAN SNYDER/ REUTERS

Polémico como sempre, inconveniente quanto baste e provocador não raras vezes, o bilionário foi o principal agente desestabilizador do primeiro debate televisivo com os dez principais republicanos “presidenciáveis”. Aconteceu esta quinta-feira, pela mão da Fox News

Quem confiava em Donald Trump para agitar o debate e marcar o tom da primeira discussão entre os dez candidatos republicanos melhor colocados para disputar as presidenciais norte-americanas de 2016, não se desiludiu. Igual a si próprio, o bilionário foi uma espécie de animador de serviço durante o debate transmitido pela Fox News, na noite desta quinta-feira. Foi também o único a admitir a possibilidade de assumir uma candidatura independente, caso não venha a ser o nomeado nas primárias.

A posição valeu-lhe a reação irritada de Rand Paul, candidato que acusou Trump de estar já a calcular as suas apostas por estar “acostumado a comprar políticos”.

Aguardado com expectativa e rodeado de grande aparato mediático, o debate serviu menos para a apresentação de novidades e mais para que cada candidato passasse em revista posições já defendidas. O consenso em torno da intenção de pôr fim ao acordo nuclear com o Irão foi um dos pontos importantes, com todos os dez participantes a concordarem, sem reservas.

Momentos polémicos foram vários, quase sempre envolvendo Donald Trump. Questionado sobre o fundamento para as acusações dirigidas ao governo mexicano, que disse estar a enviar criminosos para os Estados Unidos, o bilionário começou por chamar a si o mériito de abrir a discussão sobre a imigração ilegal, insistindo na necessidade de construir um muro na fronteira com o México. Sobre as declarações específicas com que foi confrontado, citou informação obtida através de “guardas da fronteira”.

Vaiado com frequência durante o debate pelos assistentes - embora também aplaudido em algumas intervenções - Trump chegou a ser inconveniente, nomeadamente com a jornalista Megyn Kelly, um dos três moderadores do encontro.

Ao ser confrontado com expressões ofensivas dirigidas a mulheres e publicadas no seu perfil no Twitter, Donald Trump limitou-se a afirmar não ter tempo “para ser politicamente correto”.

Ao seu lado (literalmente, já que o facto de liderar a corrida republicana pela nomeação valeu a Trump ficar posicionado no centro do estúdio), Jeb Bush esforçou-se para se demarcar dos restantes candidatos. O filho e irmão de dois ex-Presidentes norte-americanos manteve uma posição mais moderada.

Eleitores preocupados com o combate ao terrorismo

Marco Rubio, de 44 anos, o mais novo na corrida, apostou em evidenciar o seu conhecimento de política internacional, sublinhando a necessidade de o futuro Presidente entender os desafios da nova economia norte-americana, enquanto o senador Rand Paul e Chris Christie (governador de Nova Jérsia) se envolveram numa acesa discussão sobre os programas de vigilância no país.

Um segundo bloco de perguntas partiu dos eleitores através de vídeos, tendo dominado o tema do combate ao terrorismo, especialmente no que diz respeito ao autodenominado Estado Islâmico (Daesh).

O debate reuniu os dez pré-candidatos mais bem posicionados nas pesquisas: Donald Trump, Jeb Bush, Scott Walker, Marco Rubio, Mike Huckabee, Ted Cruz, Ben Carson, Chris Christie, Rand Paul e John Kasich.

Antes do encontro principal, os sete pré-candidatos menos cotados participaram num outro debate, dominado, segundo a agência AP, pelas críticas à pré-candidata democrata Hillary Clinton.