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MH370: França alarga buscas ao largo da Ilha Reunião

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Polícias franceses examinam a peça com cerca de dois metros encontrada numa praia da ilha Reunião, no oceano Índico, perto de Madagascar, que tudo indica pertencer ao voo da Malaysia Airlines desaparecido desde março de 2014

Zinfos974 / Reuters

Governo francês garante que está a disponibilizar todos os meios para acelerar as buscas e a investigação no âmbito do desaparecimento do avião da Malaysia Airlines. Familiares dos passageiros exigem deslocar-se à ilha do Índico para acompanhar de perto o processo

Apesar do anúncio oficial por parte da Malásia de que o destroço encontrado na ilha Reunião, no oceano Índico, pertence ao avião desaparecido da Malaysia Airlines, nem França nem Austrália - que participam nas operações de busca - confirmam isso.

Esta quinta-feira, o ministro dos Transportes malaio Liow Tiong voltou a aumentar a ansiedade entre os familiares dos passageiros, ao declarar que foram localizados mais fragmentos, incluindo vidros de janelas e almofadas de assentos, mas as autoridades gaulesas não corroboram essa informação.

Uma equipa francesa decidiu esta sexta-feira alargar as buscas por via aérea, marítima e terrestre ao largo da ilha da Reunião, com vista a encontrar novos possíveis fragmentos e ajudar a dissipar as dúvidas.

“A França está a cumprir plenamente o seu papel nesta operação internacional, disponibilizando todos os meios necessários para ajudar a trazer à luz esta tragédia", refere o governo gaulês, em comunicado. O ministro da Defesa francês Jean-Yves Le Drian assegura que o seu país está a disponibilizar todos os meios de forma a acelerar a investigação.

Entretanto, os peritos continuam a analisar em Toulouse a peça do avião encontrada na ilha Reunião. Tal como defendeu esta quarta-feira o procurador francês Serge Mackowiak, existe uma “elevada probabilidade” desse destroço pertencer ao avião malaio, mas é vital a realização de mais testes antes da confirmação oficial.

A posição das autoridades malaias mudou desde que o avião do voo MH370 desapareceu a 8 de março de 2014, pouco depois de partir de Kuala Lumpur com destino a Pequim. Se antes eram acusados de omitirem informações e de prestarem declarações imprecisas, o cansaço parece dar sinais e o governo malaio pretende agora querer pôr um ponto final neste enigma.

O primeiro-ministro Najib Razak anunciou na quarta-feira que o destroço encontrado pertence ao avião desaparecido, mas o seu homólogo australiano Tony Abbott proferiu declarações mais cautelosas, limitando-se a afirmar que o “mistério desconcertante parece estar a chegar ao fim.”

Por seu turno, os familiares dos passageiros continuam reticentes e exigem uma conclusão definitiva por parte das autoridades. Cerca de 30 pessoas realizaram esta sexta-feira uma marcha até à Embaixada da Malásia, exigindo que os familiares das vítimas sejam levados ao local onde foi encontrado o destroço.

“Queremos ver pessoalmente a situação real e o que está a acontecer na ilha Reunião”, declarou Zhanzhong Lu, pai de um dos passageiros, citado pela AFP.

O governo malaio tem sido acusado de recusar reunir-se com as famílias das vítimas. “Eu não sei o que eles temem e o que tentam esconder”, disse Jiang Hui, mãe de outro passageiro.

Entretanto, o Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros apelou ao governo da Malásia para acelerar a investigação, sem deixar de “salvaguardar os legitimos intereses e direitos dos familiares dos passageiros”.