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População de Ferguson volta à rua no primeiro aniversário da morte de Michael Brown

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JEWEL SAMAD/ GETTY IMAGES

Familiares, ativistas, líderes religiosos e a comunidade em geral vão lembrar o jovem negro morto por um polícia, a 9 de agosto de 2014. O caso gerou uma onda de contestação e obrigou os Estados Unidos a discutir denúncias discriminação racial por parte das autoridades

Marchas, concertos, cerimónias religiosas e um minuto de silêncio são algumas das manifestações previstas para este fim de semana, a forma escolhida em Ferguson para assinalar o primeiro aniversário da morte de Michael Brown, o jovem negro desarmado que foi abatido por um polícia a 9 de agosto do ano passado.

O caso de Brown originou uma onda de protestos no estado do Missouri que se alargou a todos os Estados Unidos, abrindo um intenso debate sobre os excessos das autoridades, acusadas de discriminação racial.

À morte do jovem de 16 anos seguiu-se uma série de tumultos, agravados por outras mortes de negros às mãos da polícia, noutras localidades, com os manifestantes a ocuparem as ruas, queimando lojas, arremessando pedras e a entrarem em confronto direto com a polícia, que respondeu com gás lacrimogéneo e balas de borracha.

Desta vez, os habitantes de Ferguson dizem esperar que o fim de semana seja tranquilo, com a fundação Escolhido para a Mudança, criada pela família de Michael Brown, a organizar eventos que pretende “positivos e pacíficos”.

“Espero centenas, ou mesmo milhares de pessoas”, afirma Tommie Pierson Sr., pastor de uma das igrejas onde decorrerá uma cerimónia de homenagem a Brown. “Não antecipamos qualquer tipo de violência. No entanto, temos de estar sempre preparados”, acrescentou, citado pela Reuters.

Também a polícia espera que a ocasião não seja manchada por novos confrontos. Nesse sentido, tem reunido com os organizadores para discutir estratégias que o garantam. Segundo o presidente da Câmara de Ferguson, James Knowles, a segurança na cidade foi alvo de várias reformas ao longo do ano, ainda que reconheça existir muito por fazer, pelo que apela à comunidade para se expressar de uma forma positiva, em prol da união, e focada no futuro.

Michael Brown morreu após ser baleado várias vezes por um agente branco, Ferguson Darren Wilson, quando caminhava com um amigo pelo seu bairro. Estava desarmado e testemunhas garantiram que tinha as mãos no ar quando foi atingido, após ter sido intercetado por circular na estrada e não no passeio.

Imagens do corpo da adolescente, que ficou na rua durante mais de quatro horas, e uma sequência de afirmações de colegas que defenderam a intervenção de Wilson, acusando Brown de ser um bandido e um ladrão, aumentou a ira da comunidade negra. Darren Wilson não foi imputado pela morte do jovem, mas acabou por abandonar a polícia, alegando “razões de segurança”.

Em declarações recentes, a mãe de Michael Brown voltou a afirmar que nunca conseguirá perdoar o agente que assassinou o filho: “Nem sequer admitiu que o que fez foi errado”.