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Estado Islâmico ameaça executar croata capturado no Egito

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Trata-se de um cidadão croata de 30 anos, casado e pai de dois filhos

Helena Bento

Jornalista

Num vídeo divulgado quarta-feira, um grupo aliado do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) ameaça matar um cidadão croata caso o Governo do Egito não autorize a libertação das "mulheres muçulmanas" detidas em prisões egípcias.

O vídeo, cuja autenticidade ainda não foi confirmada, mostra um homem - que se apresenta como Tomislav Salopek, cidadão croata de 30 anos, casado e pai de dois filhos - vestido com um fato cor de laranja e ajoelhado numa zona aparentemente desértica.

"Os soldados de Wilayet Sina vão matar-me", diz o homem, enquanto lê uma nota escrita em inglês, tendo ao seu lado outro homem vestido de preto e rosto tapado, que exibe uma faca na mão. "Wilayet Sina", expressão árabe, designa o grupo terrorista conhecido como Província do Sinai, antigo Ansar Bait al-Maqdis, que no final de 2014 jurou lealdade ao Daesh e mudou o nome na sequência desse compromisso.

Em julho passado, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Croácia revelou que um dos seus cidadãos, identificado também pelas iniciais T.S., foi raptado no Cairo a 22 de julho enquanto se dirigia ao trabalho numa das filiais da empresa francesa CGG (que opera no sector do gás e do petróleo), localizada num subúrbio do Cairo. Tudo indica que se trata do mesmo homem que aparece no vídeo agora divulgado.

Segundo a Associated Press, as "mulheres muçulmanas" referidas na nota encontram-se provavelmente entre os islamitas que foram presos na sequência de uma ofensiva do Governo egípcio contra os dissidentes do regime.

Desde que Mohamed Morsi, que governava o Egito com o apoio do partido criado pela Irmandade Muçulmana, foi deposto em 2003 num golpe do general Abdel al-Sisi (atual presidente), o país tem sido palcos de violentos confrontos. Milhares de islamitas e apoiantes da Irmandade Muçulmana foram detidos e condenados à morte.

Também em julho passado, início do mês, o mesmo grupo terrorista, Província do Sinai, lançou vários ataques a posições do Exército e da polícia egípcia no norte do Sinai. Apesar de não ter havido consenso relativamente ao número de vítimas, o ataque jiadista foi considerado o mais mortífero de sempre na península.