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Jimmy Carter diz que EUA são uma “oligarquia podre”

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A vida política nos EUA transformou-se num mercado, em que os decisores políticos recebem muito dinheiro para tomar certas decisões, diz Jimmy Carter

KENA BETANCUR / AFP / Getty Images

O antigo Presidente norte-americano diz que não considera os Estados Unidos uma democracia, devido aos subornos generalizados

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

O antigo Presidente democrata norte-americano Jimmy Carter (1977-1981) criticou veementemente a prática de “suborno político ilimitado” nos Estados Unidos, que fez com que houvesse “uma subversão completa do sistema político como uma recompensa aos grandes contribuintes”.

A declaração do 39.º Presidente dos EUA (que recebeu o Prémio Nobel depois de abandonar o cargo, em 2002, pela sua ação em prol da paz mundial) fez a declaração numa entrevista a Tom Hartmann, apresentador de rádio e comentador político, que foi reproduzida pelo “The European Union Times”. Para Carter, hoje com 90 anos, o seu país não é um Estado democrático.

Segundo afirma o ex-Presidente, que perdeu um segundo mandato para o republicano Ronald Reagan, os EUA transformaram-se numa “verdadeira oligarquia”, onde o poder está concentrado nas mãos da elite financeira.

Tal facto foi possível, diz, devido a uma decisão do Supremo Tribunal dos Estados Unidos (“Citizens United vs. Comissão Eleitoral Federal”), que permitiu às grandes empresas fazer investimentos financeiros ilimitados na esfera política.

“A vida política é um mercado

O antigo Presidente faz duras acusações ao sistema político, afirmando, nomeadamente, que os EUA são uma oligarquia, em que o poder é gerado através de subornos a todos os candidatos presidenciais e dos governadores.

A vida política nos Estados Unidos transformou-se num mercado, em que os decisores políticos recebem muito dinheiro para tomar certas decisões, diz Jimmy Carter.

Anteriormente, o ex-vice-presidente Al Gore já havia descrito o sistema político dos Estados Unidos como “catastrófico”, apontando também a corrupção da esfera política americana, em que os políticos trabalham para os interesses das grandes empresas, em vez das pessoas.

Al Gore perdeu as eleições presidenciais para George W. Bush, em 2000, na sequência de um processo muito controverso de contagem de algumas centenas de votos na Florida, estado governado na época por Jeb Bush, irmão de George W.