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Fotógrafo fala sobre a indústria dos caçadores de troféus

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Junto ao consultório de James Palmer, no Minnesota, manifestantes concentram-se numa ação de protesto, na quarta-feira

ERIC MILLER/ REUTERS

Muitos já tem destinado na sua casa o local onde vai ficar exibido o troféu, muito antes de partirem para África. “São gestores de fundos financeiros, médicos, advogados, as suas mulheres e filhos”, afirma o fotógrafo David Chancellor ao “The Guardian, a propósito das polémicas imagens dos caçadores exibindo os animais selvagens abatidos

É uma autêntica indústria de caçadores que vêm dos mais diversos pontos do mundo para safaris em África, em busca de animais selvagens para abater e das respetiva imagens deles com a presa, que irão exibir em sua casa como troféu. Muito antes de partirem, já têm inclusive destinado o local onde irá ficar colocada a fotografia, segundo disse ao “The Guardian” o fotógrafo David Chancellor.

Em sequência da polémica gerada pela imagem do dentista americano que surgia posando orgulhosamente com um leão de 13 anos que abatera no Zimbabué, o jornal britânico falou com um fotógrafo que captou inúmeras imagens desse tipo ao longo dos últimos sete anos.

O tipo de imagens remete para os caçadores do início do século passado, mas ele explica que se trata de pessoas comuns dos dias de hoje. “Alguns vão chorar após terem morto o animal, alguns vão rezar. Alguns vão beber uma cerveja ou fumar um charuto. A única coisa que têm em comum é que estão completamente concentrados no que estão a fazer. Eles não duvidam por um momento daquilo que fazem”, explica.

A indústria dos safaris para caçadores desse tipo de troféus tem estado a crescer, tendo-se expandido do Quénia para outros países como o Zimbabué, Botswana, Namíbia e, ainda que em menor escala, para Moçambique ou Zâmbia. Ocorre atualmente em 23 países da África subsaariana, ainda segundo dados do jornal britânico.

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