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Primeira-dama venezuelana vai ser deputada. A líder da oposição não

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Cília Flores, que já foi presidente da assembleia e procuradora geral da Venezuela, concorre com apoio do marido, o presidente Nicolás Maduro

© XXSTRINGERXX / Reuters

Não se consegue explicar a diferença de critérios, mas a verdade é que a primeira-dama da Venezuela, Cília Flores, poderá concorrer ao Congresso enquanto Maria Corina Machado, líder da oposição, fica impedida de o fazer

Na Venezuela, governa quem pode. Cília Flores, a mulher do Presidente Nicolás Maduro – que já foi presidente da Assembleia Geral e procuradora-geral –, está a um passo do Congresso. Já a dirigente da oposição María Corina Machado foi proibida de concorrer a deputada.

A disparidade com que as situações foram tratadas pelos dirigentes venezuelanos tem gerado polémica. Esta terça-feira, meras horas depois de se saber que Machado não poderia concorrer ao cargo, Maduro anunciou a candidatura da sua mulher às legislativas de 6 de dezembro.

Maduro disse que a sua mulher era era a sua própria pessoa, e que o seu valor era só seu. O Presidente terá apoiado a candidatura da mulher dizendo-lhe: “Nenhum machismo te irá limitar”.

María Corina Machado é uma das mais importantes líderes da oposição na Venezuela. Liderou parte dos protestos violentos contra o Governo de Maduro em 2014, que resultaram em 34 mortos. A 14 de julho foi proibida, como outros membros proeminentes de partidos e grupos da oposição, de exercer cargos oficiais durante um ano. Isto não impedia, porém, uma candidatura às legislativas, segundo a lei venezuelana.

Na altura os oficiais argumentaram que Machado e as outras figuras visadas tinham apresentado irregularidades financeiras no uso de fundos públicos. Citada pela Reuters em julho, a oposicionista apontou o dedo ao Governo de Maduro, “Estão a agir como os ditadores que são. Eles deviam preparar-se, vamos começar a agir como a maioria que nós somos.”

As autoridades eleitorais decidiram, esta terça-feira, recusar a candidatura de Machado. A política já chamou ao seu afastamento “uma violação dos [seus] direitos constitucionais”.