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Dez anos depois de morrer, ex-primeiro-ministro britânico Edward Heath é suspeito de abusos sexuais

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Morreu em 2005, mas o seu nome está no centro de um possível escândalo de abuso sexual e encobrimento policial

JOHNNY EGGIT

O nome do ex-governante conservador, falecido em 2005, surge ligado a acusações de violação por um homem, que diz que o político o violou quando tinha apenas 12 anos

Um homem, não identificado pelas autoridades inglesas, acusou esta terça-feira o ex-primeiro ministro britânico Edward Heath, falecido em 2005, de o ter violado em 1961 no bairro de Mayfair, em Londres. A alegada vítima tinha apenas 12 anos na altura. Segundo uma carta enviada aos seus advogados, a vítima, que tem hoje 60 anos, conta como o político lhe deu boleia numa estrada no condado de Kent, a sul de Londres, e o levou para uma casa em Park Lane, numa das zonas mais abastadas da capital inglesa.

No apartamento, Heath ter-lhe-á dito que só tinha uma cama e pediu para se deitar junto do rapaz. Os avanços do político deram lugar a violação, conta a alegada vítima. Esta, citada pelo diário “The Daily Telegraph”, diz que tentou várias vezes denunciar o que aconteceu, mas que as autoridades na altura lhe chamaram “mentiroso e fantasista”.

Só em 1965, é que a alegada vítima compreendeu o comportamento da polícia, quando viu uma fotografia de Heath lado a lado com Margaret Thatcher, a sua sucessora. “Descobri que era deputado por Bexley [na Grande Londres]. Esta descoberta explicou muitas atitudes da polícia durante os meus dias em Londres”, disse a alegada vítima ao jornal.

Alegações encobertas enquanto Heath era vivo

O caso, que volta agora a ver luz do dia, está a ser investigado pela Comissão Independente da Polícia (IPCC, na sigla inglesa). Em causa estão não só as alegações feitas quanto a Heath mas também acusações de possível encobrimento policial durante a vida do ex-primeiro-ministro.

A IPCC diz que o caso pode ter sido encoberto várias vezes: nos anos 90, a dona de um bordel londrino, que tinha sido presa por tráfico humano e incentivo à prostituição, evitou o julgamento quando ameaçou denunciar Heath como um dos seus clientes com gostos “particulares”.

Um agente policial que esteve envolvido neste caso confessou que a polícia estava ciente de várias alegações e informações que corroboravam a teoria de que Heath teria abusado crianças. Em 2012, o deputado Tom Watson afirmou ter tido acesso a dados relacionados com alegações de abuso sexual por Heath. “Passei a minha informação à polícia, que me disse que já estava a investigar seriamente os casos”, contou Watson ao “Telegraph”.

Depois destas revelações, a IPCC decidiu investigar se os procedimentos da polícia foram corretos ou se houve algum tipo de encobrimento, apoiando-se ainda na informação de um detetive, que em 2014 alegou que a polícia não tinha investigado corretamente o caso. A IPCC fez ainda um pedido público a todas as possíveis vítimas ou a qualquer pessoa que tenha informação sobre o caso para reportar o que aconteceu.

Já a fundação que tem o nome do ex-governante diz que irá “colaborar com a polícia em tudo o que puder, para limpar e exonerar o nome de Sir Edward Heath”. O político, que morreu com 89 anos, era conhecido pela relutância em falar da sua vida privada. Nunca casou e muitos biógrafos acreditam que possa ter sido um homossexual não-assumido.