Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Catalunha quer fazer das eleições regionais um referendo à independência

  • 333

“Todos nós sabemos que estas eleições serão diferentes”, afirmou o presidente do Governo Regional da Catalunha, Artur Mas, após ter aprovado o decreto que antecipa o ato eleitoral

Ruben Moreno Garcia/Reuters

O presidente do governo catalão descreve as eleições regionais de 27 de setembro como “um plesbicito à independência”. Madrid ameaça anulá-las

O presidente do governo regional da Catalunha, Artur Mas, aprovou na segunda-feira a antecipação das eleições autonómicas para 27 de setembro. Previsto para 2016, o escrutínio catalão passa, deste modo, a decorrer antes das eleições gerais espanholas, que terão lugar no final do ano.

A antecipação das eleições catalãs em cerca de um ano surge como forma de pressão sobre o Executivo central, liderado pelo conservador Mariano Rajoy. Este recorreu aos tribunais para inviabilizar a realização de um referendo sobre independência da região, em novembro de 2014. Artur Mas, da Convergência Democrática da Catalunha, é separatista e quer proclamar a independência da Catalunha até 2017. Para tal, aliou-se à Esquerda Republicana da Catalunha e a organizações soberanistas na lista Juntos pelo Sim (JPS), cujo nome frisa o objetivo desta convocatória: se conseguirem a maioria absoluta, consideram-se legitimados para avançar com a secessão.

O líder regional qualificou o ato eleitoral como “um plesbicito à independência”, considerando que a Catalunha “não está a viver um momento normal”, pelo que as eleições serão “especialmente importantes”. “Todos nós sabemos que estas eleições serão diferentes”, afirmou em declarações televisivas, após ter assinado o decreto de marcação do ato eleitoral. Este não inclui, porém, qualquer referência ao “carácter plebiscitário” da votação, para evitar eventuais ações judiciais vindas de Madrid. E Artur Mas não indicou a dimensão da maioria que deseja ou que o faria sentir-se autorizado a quebrar com Madrid.

O Governo central tem procurado reforçar a ideia de que se trata apenas de eleições vulgares para eleger o Parlamento regional catalão. A vice-primeira-ministra espanhola, Soraya Sáenz de Santamaría, anunciou na segunda-feira que o Governo poderá contestar legalmente a decisão de antecipar as eleições caso Artur Mas não respeite a lei, que obriga o governo regional a mostrar-se neutro.

Além da lista JPS, também a Candidatura de Unidade Popular (independentista mas fora da aliança de Artur Mas) considera as eleições plebiscitárias, tendo o seu líder, David Fernández, colocado a fasquia nos 55%. Outras forças favoráveis a uma consulta sobre a independência mas não à secessão negam a natureza plebiscitária do ato eleitoral: é o caso da Iniciativa pela Catalunha Verdes, formação esquerdista que se alia, para esta ida às urnas, ao Podemos, tendo constituído a lista Catalunha Pode Sim.

Entre as forças políticas mais unionistas estão o Partido dos Socialistas Catalães (ramo regional do Partido Socialista Operário Espanhol), o Partido Popular (de Rajoy), os Cidadãos e a União Democrática da Catalunha (antiga alidada da CDC de Artur Mas) criticaram a falta de clareza do governo regional, dizendo que falta à JPS um programa de Governo.