Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Obama quer obrigar América a reduzir em 32% as emissões de carbono

  • 333

O carvão continua a ser uma das principais matérias-primas para a produção de eletricidade

Ina Fassbender/Reuters

É apresentado pelo Presidente americano como “o mais importante passo que nós alguma vez demos para combater as mudanças climáticas”, mas a implementação do programa já estará a cabo do seu sucessor e conta com forte oposição entre os republicanos

As centrais termoelétricas norte-americanas devem reduzir em 32% as emissões de carbono até 2030, comparativamente com os níveis de 2005, segundo a versão final do Plano de Energia Limpa que o Presidente Barack Obama apresenta esta segunda-feira.

“As mudanças climáticas não são um problema para a próxima geração. Já não são”, afirma Obama num vídeo publicado este domingo no Facebook, a propósito daquele que considera ser “o mais importante passo que nós alguma vez demos para combater as mudanças climáticas”.

Cada estado terá de submeter depois o seu plano à Agência de Proteção Ambiental norte-americana no próximo ano, indicando como irá ao encontro das metas estabelecidas de redução da emissão de gases.

O plano será central na contribuição dos Estados Unidos da América para o acordo para as mudanças climáticas no âmbito das Nações Unidas, surgindo antes da cimeira que este ano vai decorrer em Paris. Mas a sua implementação já terá de ser levada a cabo pelo sucessor de Obama na Casa Branca e conta com forte oposição entre os republicanos.

Jeb Bush diz que o plano aumentará o desemprego e os preços da energia

O candidato às primárias no Partido Republicano afirmou este domingo que a sua implementação irá “colocar um sem número de pessoas sem emprego, e aumenta os preços da energia”.

A sua potencial rival nas próximas presidenciais, a candidata às primárias no Partido Democrata, Hillary Clinton, afirma por seu turno que irá defender o plano de Obama. Lançado há um ano pelo executivo de Obama, o Plano de Energia Limpa, cuja versão final será agora apresentada, aumenta em 9% a meta anteriormente indicada.

Brian Desse, conselheiro do Presidente para as mudanças climáticas, afirmou aos jornalistas que a nova meta “potenciará” a capacidade dos EUA irem ao encontro das metas referidas antes da cimeira de Paris, de reduções globais de emissões poluentes entre 26 a 28% até 2025, comparativamente aos níveis de 2005.

Obama referiu que até aqui não tem havido limites para as emissões de carbono por parte das centrais termoelétricas norte-americanas, a maior fonte de emissão de gases poluentes no país.

O carvão é atualmente responsável pela maior parcela de produção eletricidade nos Estados Unidos, 39%, e terá de ser reduzida para 27% (um corte um pouco maior do que o definido na primeira proposta, que estabelecia uma redução para os 30%).

A parcela dos gás natural deverá manter-se nos 30%, enquanto as fontes de energia renováveis devem passar a ser responsáveis por 28% da produção de eletricidade (inicialmente estava prevista que seria de 22%).

O senador Mitch McConnell, líder da maioria republicana no Senado, apelou aos governadores para ignorarem o plano. Cinco já declararam que não vão seguir as medidas impostas e mais de uma dezena de Estados norte-americanos indicaram que por causa do plano vão processar a Agência de Proteção Ambiental.