Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Empresário chinês acusado de fugir azeda relações entre EUA e Pequim

  • 333

FOTO Feng Li/Getty

Pequim quer a extradição, mas Washington exige que sejam apresentadas provas de crime. Empresário pode tornar-se um dos maiores desertores da história da República Popular da China

As relações diplomáticas entre os EUA e a China estão mais tensas. Em causa está a fuga para a América do empresário chinês Ling Wancheng, que é irmão de Ling Jihua - um antigo diretor da secretaria-geral do Comité Central do Partido Comunista Chinês que foi afastado do cargo na sequência de um escândalo de corrupção e detido a 21 de julho. Pequim exige a extradição do cidadão chinês, mas Washington recusa-se a ceder ao pedido enquanto não forem apresentadas provas de indício de crime.

O porta-voz do Departamento de Justiça norte-americano, Marc Raimondi, garante que os EUA “têm mostrado repetidamente que irão prosseguir com determinação os procedimentos penais nos EUA, onde existem acusações de lavagem de dinheiro e outras práticas criminais de fugitivos procurados na China”. “Mas não basta que nos forneçam uma lista de nomes. O governo chinês tem que apresentar provas”, acrescenta o responsável.

Ling Wancheng, de 55 anos, é o mais novo de quatro filhos de uma família conhecida pela sua influência política na China. Além do caso de corrupção que envolveu Ling Jihua - que é acusado de aceitar subornos, traição e abuso de poder em troca de sexo -, Wancheng tem sido acusado de usar as suas ligações políticas para desenvolver empresas, refere o “South China Morning Post”.

O governo chinês desconhece o paradeiro de Ling Wancheng. Mas segundo o “New York Times”, o empresário comprou uma casa a um jogador de basquet no estado da Califórnia, onde deverá permanecer escondido. Ainda assim, um vizinho disse ao jornal norte-americano que o empresário chinês não é visto desde outubro.

Além de Ling Wancheng poder constituir uma preciosa ajuda para a acusação do seu irmão mais velho, Pequim quer também que o empresário regresse ao país para evitar a todo o custo a divulgação aos EUA do seu “tesouro de conhecimento” sobre as questões políticas internas da China, explica Christopher K. Johnson, um ex-analista da CIA.

Se os EUA concederem asilo político, Wancheng pode tornar-se um dos maiores desertores da história da República Popular da China, que sob a liderança de Xi Jinping promete levar a cabo um “firme combate à corrupção”.