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Tsipras defende Varoufakis e nega “plano secreto e satânico”

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Alexis Tsipars saiu em defesa de yanis Varoufakis

FOTO ALKIS KONSTANTINIDIS/REUTERS

Primeiro-ministro grego diz que o seu ex-ministro das Finanças pode ter cometido “muitos erros”, mas não pode ser acusado “de roubar dinheiro do povo ou de ter um plano secreto para levar a Grécia para o precipício”

Está confirmado: havia mesmo um plano alternativo na Grécia. Alexis Tsipras admitiu na manhã desta sexta-feira, em pleno Parlamento, que solicitou ao ex-ministro das Finanças grego para arquitetar um plano de contingência de forma a responder a uma eventual saída do país da zona euro, mas negou que fosse um “plano secreto”.

“Nós não desenhámos, nem tivémos um plano para colocar o país fora do euro, mas apenas planos de emergência. Se os nossos parceiros e credores tivessem preparado um cenário de Grexit, não deveríamos ter preparada a nossa defesa?”, questionou Tsipras aos deputados, citado pela Reuters.

Garantindo que o plano de contingência foi solicitado por si a Yanis Varoufakis, o governante insistiu que o objetivo era minorar as consequências de uma saída da Grécia da moeda única. “Claro, é óbvio que fui eu que ordenei ao ex-ministro das Finanças para juntar a equipa para gerir a situação de emergência”, disse Tsipras.

“Varoufakis pode ter cometido erros, como todos nós... Podem acusá-lo do que quiserem no plano político, as suas declarações, o seu gosto por camisas, as férias em Aegina. Mas não podem acusá-lo de roubar dinheiro do povo ou de ter um plano secreto para levar a Grécia para o precipício”, acrescentou.

Sem se referir ao acesso dos dados dos contribuintes previsto no plano de Varoufakis, Alexis Tsipras defendeu que não pode ser tratado como "um plano secreto e satânico para tirar o país da zona euro".

Com estas explicações no Parlamento, o líder grego tentou assim esclarecer os deputados, depois da polémica causada no passado fim de semana pelo jornal “Kathimerini”, o primeiro a dar conta de que Varoufakis revelara numa conferência em Londres, no passado dia 16 de julho, que Tsipras lhe tinha solicitado a criação de um sistema de pagamentos alternativo, que previa que fossem pirateados os dados dos contribuintes.

Respondendo às críticas da líder do Pasok [PS grego], Fofi Gennimata, o primeiro-ministro grego desvalorizou a polémica gerada pelas declarações de Varoufakis: “Para a próxima vez, se quiserem procurar escândalos olhem para o vosso próprio partido”, concluiu Tsipras.

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